Ensaio sobre a cegueira

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO TRIÂNGULO

Luis Fernando Chagas Pinto
Curso: Direito Diurno
Turma: A
Campus: Uberlândia











Ensaio Sobre a Cegueira – Resenha Crítica

























Uberlândia – 2007


CENTRO UNIVERSITÁRIO DO TRIÂNGULO















Ensaio Sobre a Cegueira – Resenha CríticaTrabalho escrito apresentado pelo graduando Luis Fernando C. Pinto como condição de avaliação parcial interdisciplinar no primeiro período de Direito.











Uberlândia – 2007


Ensaio Sobre a Cegueira – Resenha Crítica
José Saramago (1995)

"Caminante no hay camino,
sehace camino al andar..."
Antônio Machado (Poeta Espanhol)

O escritor português José Saramago é conhecido por suas posições de esquerda, e não se esquiva, tampouco, de acusação de excessiva ortodoxia, mas seus livros nada têm do otimismo contemplado pela esquerda mundial no que tange a um futuro mais justo e promissor para ahumanidade. A história, em seus livros, é um palco de atrocidades sem fim; todas as ilusões todas as religiões, parecem servir de pretexto apenas para o exercício continuado da brutalidade humana.
No seu romance vencedor do Nobel de Literatura – o primeiro dado a um escritor de língua portuguesa – o autor nos faz enxergar e, muito mais do que isso, temer a própria humanidade frente a uma situação decaos. Desde já fica claro não se tratar de uma cegueira no sentido clínico pois quando a mesma se dá por perdão da capacidade de visão ela é negra e quando por bloqueio psicológico o sujeito afirma não ver e não ver uma nuvem branca, do ponto de vista do discurso essa afirmação é muito importante.
A partir de uma súbita e inexplicável epidemia de cegueira, Saramago nos guia para adesorganização e a superação dos valores mais básicos da sociedade moderna, transformando seus personagens em animais egoístas na sua luta pela sobrevivência. Num dia qualquer, numa cidade qualquer, um homem começa a gritar de dentro do carro: “Estou cego!”. De repente, sem aviso, só vê uma névoa esbranquiçada. É o primeiro cego. Levam-no ao médico que o examina e logo em seguida cega também.Surpreende-nos a ausência das marcas usuais da historicidade. Não há sequer uma referência temporal que nos permita dizer com segurança em que momento histórico o mundo ficcional deve ser inserido. No entanto, a própria ausência de marcadores temporais permite-nos fazer reflexões acerca do seu significado. A percepção do tempo se faz sentir apenas na memória das personagens e nas observações donarrador.
O passado, do qual os personagens se recordam, é o conjunto de atitudes e valores que incorporavam antes da cegueira e sob esse aspecto o passado e o presente são julgados – um à luz do outro. A "presença do passado" no presente expressa-se numa polifonia em que o velho e o novo se cruzam, na evocação de uma temporalidade contínua. Tentarei, no entanto, mostrar que é exatamente essaimpossibilidade que faz do romance um retrato tão contundente da condição humana.
Isso se dá, antes de mais nada, porque o lugar se concretiza pela palavra. Se a troca de palavras ocorre entre pessoas no nível de uma intimidade cúmplice, algo do lugar antropológico pode ser recuperado e reordenado. Claro está que as citações surgem invertidas, como a destituírem-se de um caráter absoluto,desprovendo a si mesmas de sentido. Essa inversão é metafórica. No esvaziamento do sentido, ela exibe a cegueira da palavra. Há que gerar comportamentos verbais que se coadunem com esse novo padrão de existência.
Não se pode dissociar a ausência de referentes temporais da ausência de referentes espaciais. Numa perspectiva historicista, a definição do tempo e do espaço se faz essencial, mesmo...
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