El junkie

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3 de janeiro de 2009 – 10h02min.

Por que a Benki não me larga? Essa menina apareceu tem uns dois meses, e não me solta de forma alguma! Aqui cada um tem um apelido, ela é a Benki porque no início quando dizia “vem aqui” para alguém (no caso, quase sempre, para mim), fazia uma vozinha irritante, manhosa e acabava dizendo “bemquí”. Então a chamamos de Benki. A Carmina diz que a garota seapaixonou por mim, bobagem! É só um encanto idiota, porque não dou bola. Acho que é isso. A gente tá de boa hoje, embaixo da Biblioteca Nacional porque está chovendo muito. Brasília em janeiro, não tem como ser muito diferente. Estou limpo há um ano. É sério, sério mesmo! Não lembro a data exata, mas não importa. Agora só fumo cigarro, um baseado de vez em quando, e bebo. Drogas pesadas não mais. Tem umagarota andando lá longe, sozinha. Ela parece estar chorando, não sei. Sentou agora num banco, no meio da chuva. O Remo tá me dizendo que ela parece ter fugido de casa. Acho que vou lá, dar um susto na garota. Deve estar esperando o papai, quem sabe ganho uns trocados. Corri e agora estou sentado ao seu lado, ela parece desconfiada. Ani é o seu nome.

3 de janeiro de 2009 – 23h15min.Engraçada a garotinha, devia ter seus quinze ou dezesseis anos, talvez dezessete. Faz tempo que não me importo mais com a idade das pessoas que me cercam, é tudo gente, né? Tinha belos lábios, tinha sim. Ela me deu uma patada tão foda que achei melhor sair de perto... “Sei me virar, sai daqui seu dorme-sujo de merda”. Como se agora ela também não fosse uma ‘dorme-suja’, mimadinha. Saí mesmo, voltei pro meuabrigo embaixo da BNB e quem foi lá acolher a novata foi a Carmina, nossa transexual. Nosso grupo tem sete pessoas, né? Agora oito. A gente mora na rua desde que se fez pensante, um bando de anarquistas desvairados, e hoje é a noite dos punks no Conic. ‘O Conic tem de tudo’, dizem. E tem mesmo. Como eu disse, hoje é a noite dos punks no Conic. Vai tocar um grupo novo, que de certo não farásucesso e acabará como nós. Mas é noite de bater cabeça e pular na roda de pogo, bater na rodinha punk. A música começa em dois minutos, a menininha nova veio com a gente, aquela Ani. Parece retraída, mas não quis ficar sozinha, o que é racional. Estou fumando meu baseado de ‘dorme-sujo’ e bebendo minha Natasha roubada. A Benki ainda não me larga, e agora reclama que se era pra roubar, eu devia terroubado uma Absolut, mas não sou tão pretensioso. Essa menina não para de beijar meu pescoço, já está me irritando, e eu não aguento mais! Ainda bem que a música começou... Acabei de entregar a garrafa pra ela, o baseado pro Remo e estou indo pro meio da multidão. Adoro a adrenalina dessa loucura toda, soco e cotovelada pra tudo quanto é lado, a música gritando liberdade. Isso é felicidade, isso sim,isso sim.

4 de janeiro de 2009 – 03h38min.

Algum filho da puta socou meu olho, tá roxo de não abrir! Não sei se foi na roda punk ou quando chegou a polícia, sei que essa merda está latejando agora que o efeito do álcool está passando. Bebi umas duas garrafas de vodka pura, porque misturar com energético é coisa de mauricinho e aqui a gente luta até nisso. Saímos corridos do Conic, agoraestamos no eixão... Meu, foi uma puta confusão mesmo! Os polícia chegaram metendo bala de festim mesmo, tavam nem aí pro cidadão. Ainda tou meio chapado, mas na hora estava louco mesmo de bêbado, fui bater no fardado, não liguei não. Cheguei com o punho fechado na cara do porco, daí ele desceu o cassetete em mim. Quando consegui levantar fugi na correria, só tive tempo pra ver aquela Ani preocupadatentando se esconder. Não tive dúvidas na hora, puxei ela pelo braço e saímos pra onde eu sabia que minha ‘família’ estaria. Foi só a gente se ver que decidimos o destino: eixão norte, a pé. Demorou bem umas duas horas pra chegar lá, mas não tínhamos mesmo nada melhor pra fazer, um bando de punk bêbado chapado... Sem contar que eu senti o Pirraça alucinando na cocaína, isso seria divertido. A...
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