Egocentrismo

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Introdução
Para compreender o desenvolvimento social da criança deve-se partir do princípio de que cada sociedade constrói os seus próprios ideais e a significação de “criança”, como também orienta as direções em que as crianças devem ser educadas, em conformidade com os valores e convicções propostos pela cultura. Deve-se também considerar, para tal entendimento, como se desenvolve e processa aformação e regulação das relações interpessoais.
Os primeiros estudos do comportamento social das crianças tratavam sobre a individualidade da criança, como atingiam pela primeira vez fases particulares de seu desenvolvimento (primeiro sorriso, a manifestação do medo de estranhos, princípios de comportamento cooperativo, entre outros). Também os primeiros estudos tratavam sobre o que determinavaas diferenças entre grupos de crianças (meninos mais agressivos que meninas; filhos únicos menos sociáveis do que aqueles com irmãos), ou sobre a influência da natureza das diferenças individuais (se o índice de desenvolvimento social acompanha o desenvolvimento intelectual, etc.). No entanto, segundo Schaffer (1996), apenas o estudo individual da criança não conseguia explicar a essência docomportamento. Assim, a relação mãe-criança, relação entre familiares ou o grupo de amigos, tornou-se o ponto central do estudo do comportamento social da criança, passando a considerar a importância do contexto, atribuindo um significado pelas relações em que as crianças estão envolvidas, como na família e na sociedade da qual fazem parte.
Neste ensaio, pretende-se discutir o papel dos jogos deregras no desenvolvimento social de crianças, por meio de suas relações interpessoais, considerando crianças da segunda infância àquelas entre os 6 e 12 anos de idade.
Regras sociais e comportamento social
A família ocupa o primeiro lugar como agente influenciador sobre a vida da criança. É no meio das interações familiares que as crianças aprendem ou deixam de aprender os elementos básicos decooperação e concordância, através da aquisição de normas de conduta e atitudes idênticas às dos pais e através da percepção das relações entre os membros da família (GARRISON; KINGSTON; BERNARD, 1971; NEWCOMBE, 1999). É no contexto familiar que as crianças aprendem pela primeira vez as regras que regulam o comportamento interpessoal, através de suas rotinas e convicções (SCHAFFER, 1996) e, começam aformar conceitos sobre si como pessoa e a aprender habilidades para tornar-se membro de grupos maiores (NEWCOMBE, 1999). Para Papalia e Olds (2000), a influência mais importante do ambiente familiar no desenvolvimento das crianças é a ação social e psicológica em casa: se existe relação favorável e amorosa ou pontuada de conflitos e se existe bem-estar econômico ou não.
Por volta dos 6 anos deidade ocorre a entrada na escola, correspondendo a um segundo meio de socialização da criança. Pela primeira vez a criança terá a experiência de estar em um meio efetivamente neutro a seu respeito, onde ela própria deverá conquistar seu lugar, sem beneficiar-se do amor parental; onde será obrigada a adaptar-se a inevitáveis coerções, será uma entre várias, onde irá descobrir a igualdade perante leise normas e, por fim, terá de aceitar um adulto estranho ao quadro familiar como uma autoridade nova detentora do saber (OSTERRIETH, 1969). A partir dos 6 anos de idade, certo nível de maturidade é atingido na confrontação com as exigências exteriores, aparecendo uma primeira forma de responsabilidade.
Pela primeira vez de forma regular e constante, a criança vai entrar em sociedade com seus parese fazer parte de um grupo em que será, em possibilidades físicas e mentais, igual aos companheiros de idade. A partir dos 7 anos, a sociedade dos companheiros ganha tanta importância quanto à família, há necessidade de ser aceito e de afirmar-se entre eles, onde a conformidade com os padrões do grupo é que irá prevalecer (OSTERRIETH, 1969).
No começo da escolaridade, entre 6 e 9 anos de idade,...
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