edgar morin

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  • Publicado : 16 de novembro de 2014
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É evidente que o desenvolvimento da mundialização cultural é inseparável do desenvolvimento mundial das redes midiáticas, da difusão mundial dos modos de reprodução (cassetes, cds, vídeos) e que a internet e a multimídia acelerarão e amplificarão todos os processos, diversos, concorrentes e antagônicos (ou seja, complexos) que evocamos. Não cremos na desaparição do livro, nem na do cinema; haveráprovavelmente até um retorno a um e a outro, o primeiro na intimidade da meditação, da solidão, da releitura, o segundo na comunhão em salas escuras. Cremos também que apesar de seus avanços impressionantes, os processos de padronização e os imperativos do lucro serão contrabalançados pelos processos de diversificação e as necessidades de individualização.
Trata-se de ir em direção a umasociedade universal fundada sobre o gênio da diversidade e não sobre a falta de gênio da homogeneidade, o que nos leva a um duplo imperativo, que traz em si sua contradição, mas que não pode fecundar fora dela: em toda parte, preservar, estender, cultivar e desenvolver a diversidade.
A humanidade é ao mesmo tempo una e múltipla. Sua riqueza está na diversidade das culturas, mas podemos e devemos noscomunicar dentro da mesma identidade terrestre. Ao nos convertermos verdadeiramente em cidadãos do mundo, partilhando uma mesma cultura das Cem Flores, é que nos tornamos vigilantes e respeitadores das heranças culturais.
antagonista, a criação. Da mesma forma, ocorrerá o desenvolvimento concorrente e interferente entre, de um lado, o processo de padronização cultural e, de outro, o processo deindividualização cultural, não apenas quanto às obras, mas também quanto ao seu uso.
1) a expansão planetária
As grandes esferas culturais estavam fechadas umas às outras e, para os europeus, a cultura “universal” era a cultura do universo das obras européias, tanto na Literatura (Cervantes, Shakespeare, Molière, Balzac etc.), quanto na poesia ou na música. Ao longo do século 20, uma esferaverdadeiramente universal constituiu-se. As traduções multiplicaram-se. Os romances japoneses, latino-americanos e africanos foram publicados nos principais idiomas europeus e os romances europeus foram publicados na Ásia e nas Américas. As músicas ocidentais encontram intérpretes em todos os continentes e a Europa se abre às músicas do oriente árabe, da Índia, da China, do Japão, da América Latina e daÁfrica. Essa nova cultura mundial certamente ainda é isolada em esferas restritas em cada nação, mas seu desenvolvimento, que é um traço marcante da segunda metade do século 20, irá prosseguir no século 21. Ainda que os modos de pensamento ocidentais tenham invadido o mundo, os modos de pensamento de outras culturas resistem e são doravante difundidos no ocidente. O ocidente já havia traduzido oAvesta e os Upanisads, no século 18, Confúcio e Lao Tsé no século 19, mas as mensagens da Ásia permaneciam apenas objeto de estudos eruditos. É apenas no século 20 que as filosofias e místicas do Islã, os textos sagrados da Índia e o pensamento do Tao e o do budismo tornam-se fonte vivas para a alma ocidental arrastada/acorrentada ao mundo do ativismo, do produtivismo, da eficácia e do divertimentoe que aspira à paz interior e à harmonia consigo mesma. Surgiu então uma demanda ocidental pelo oriente, com grande procura pelas formas vulgarizadas e comercializadas da ioga e das mensagens do budismo.
2) A padronização cultural e seus limites
A chegada do cinema, da grande imprensa e depois do rádio e da televisão no século 20 conduziram ao desenvolvimento da industrialização e dacomercialização da cultura com o auxílio dos seguintes fatores: da divisão especializada do trabalho, da padronização do produto e sua mensuração cronométrica, da busca da rentabilidade e do lucro.
No entanto, a indústria cultural não pode eliminar a originalidade, a individualidade, aquilo que chamamos talento. Não apenas não pode eliminá-lo, como tem dele uma necessidade fundamental. Mesmo se um filme...
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