Economia no governo lula

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 23 (5619 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 24 de março de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
1

A ECONOMIA BRASILEIRA SOB O GOVERNO LULA: RESULTADOS E CONTRADIÇÕES.
Fabrício Augusto de Oliveira∗ Paulo Nakatani∗∗

1. INTRODUÇÃO: OS ANTECEDENTES A economia brasileira passou por um longo processo de estagnação e inflação durante os anos 80 decorrente da crise da dívida externa que se abateu sobre todos os países endividados, em especial os da América Latina. Essa crise se manifestouatravés de um agudo processo inflacionário que chegou a 2.012,6% em 1989 e 2.851,3% em 1993, estimados pelo índice geral de preços (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas1. Assim, a segunda metade da década de 80 e a primeira da de 90 foi marcada por sucessivos planos de combate à inflação, que se iniciou com o Plano Cruzado em 1986 e foi concluído, finalmente, em 1994, com o Plano Real2. Esse períodofoi marcado, também, pelo esgotamento final do processo de industrialização conhecido como “de substituição de importações”, e pelo início da adoção das políticas neoliberais no Brasil. A última tentativa importante de continuidade da construção de uma economia industrial integrada e relativamente independente das grandes potências econômicas foi o ambicioso II Plano Nacional de Desenvolvimento,ainda no governo do General Ernesto Geisel que terminou em 1979, ano que marca o início da crise da dívida3. Após o II PND, os sucessivos governos enfrentam-se, por um lado, com a pressão externa decorrente dos vultosos pagamentos de juros e amortização da dívida e, por outro, no front interno, com a aceleração da pressão inflacionária. A economia passa, então, a ser redirecionada no sentido deampliar o esforço exportador visando obter as divisas necessárias ao pagamento dos serviços da dívida. Em 1981 o saldo da balança comercial, que até então era negativo, torna-se positivo e cresce continuamente até 1994, quando volta a ser negativo. A média desse saldo nesses 14 anos supera os US$ 10,0 bilhões ao ano e todo ele é destinado ao pagamento dos juros da dívida externa.
Fabrício Augusto deOliveira, Doutor em economia, professor do curso de mestrado da Fundação João Pinheiro. Email: fabricioaugusto@hotmail.com. ∗∗ Paulo Nakatani, Doutor em economia, professor do Departamento de Economia e do Programa de PósGraduação em Política Social da Universidade Federal do Espírito Santo. Email: pnakatani@uol.com.br. 1 IPEADATA. http://www.ipeadata.gov.br/ipeaweb.dll/ipeadata?70563390. 2MARQUES, Rosa e REGO, José Márcio (Org.). Economia Brasileira. São Paulo: Saraiva, 2000. Partes 4 e 5.


2

Esse esforço transformou-se em um círculo vicioso infernal em que o governo, por um lado, estimulava as exportações e, por outro lado, comprava os dólares. A produção para exportação gerava produto e renda, em que o primeiro era exportado e a renda permanecia internamente. O resultado dasexportações, as divisas, era adquirido pelo governo através da emissão de moeda e devolvido ao exterior pelo pagamento do serviço da dívida, e parte dessa emissão não era compensada pelo endividamento interno devido ao ambiente extremamente instável decorrente das pressões inflacionárias, que foram tornando-se incontroláveis. O resultado acumulado desse processo, durante quase uma década, culminoucom os surtos hiperinflacionários de 1989 e 1993, que felizmente não produziram integralmente os desastres típicos desse fenômeno. A crise aguda que se desenrolou no início dos anos 80 foi acompanhada pelas grandes manifestações contra a ditadura militar e pelas eleições diretas para a presidência da república. Com a queda da ditadura e o novo governo civil, a economia recupera por pouco tempo astaxas de crescimento, mas não escapa do sufoco da dívida e nem das pressões inflacionárias, que aguçam ainda mais as contradições internas. É também neste contexto, de luta contra a ditadura militar, entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80, que surge e se expande o movimento sindical dos operários da indústria paulista e o Partido dos Trabalhadores, cujo líder principal é Luís Inácio...
tracking img