Economia em portugal

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Os indicadores sociais surgem, assim, como aproximações, como instrumentos de
quantificação desses diversos aspectos: “O seu objectivo é medir a mudança social, o
desenvolvimento verificado, tendo em conta os diversos elementos sociais, políticos,
psicológicos, culturais, que tinham sido deixados de lado pela análise económica,
mostrando as diversas componentes da vida e pretendendoanalisar se esses elementos
vão melhorando ou piorando” (Setién, 1993, pp.XXII).
Como será referido nas secções seguintes, dentro desta matriz genérica dos indicadores
sociais foram surgindo novos desenvolvimentos nos estudos sobre qualidade de vida,
sendo particularmente relevantes os relativos à qualidade de vida urbana.
É dentro desta linha de investigação ligada aos indicadores sociais,que releva das
ciências sociais em geral, que se insere o trabalho desenvolvido na Câmara Municipal
do Porto, que é objecto de apresentação no ponto 4, e que visa implementar um sistema
de informação da qualidade de vida urbana.
Previamente, no ponto 2, discute-se o conceito de qualidade de vida, sendo
apresentados alguns contributos teóricos importantes para o projecto que está a serdesenvolvido. No ponto 3 centramos a análise na questão da qualidade de vida no
contexto urbano, sendo referenciadas algumas experiências de estudos de qualidade de
vida, tanto a nível nacional como internacional.
2. O CONCEITO DE QUALIDADE DE VIDA
O conceito de qualidade de vida é um conceito abrangente e no qual se interligam
diversas abordagens e diversas problemáticas. Podemosequacionar três âmbitos de
análise relativos à qualidade de vida. Um primeiro, tem a ver com a distinção entre os
aspectos materiais e imateriais da qualidade de vida. Os aspectos materiais dizem
essencialmente respeito às necessidades humanas básicas, como, por exemplo, as
condições de habitação, de abastecimento de água, do sistema de saúde, ou seja
aspectos de natureza essencialmente física einfraestrutural. Historicamente e para
sociedades menos desenvolvidas, estas questões materiais eram decisivas ou pelo menos
tinham uma focalização muito grande; hoje em dia, as questões imateriais mais ligadas
ao ambiente, ao património cultural, ao bem estar tornaram-se centrais.
Um segundo âmbito, faz a distinção entre os aspectos individuais e os colectivos. As
componentesindividuais mais relacionadas com a condição económica, a condição 4
pessoal e familiar dos indivíduos, as relações pessoais, e as componentes colectivas
mais directamente relacionadas com os serviços básicos e os serviços públicos.
Podemos ainda considerar, num terceiro âmbito de análise, a distinção entre aspectos
objectivos e subjectivos da qualidade de vida. Os primeiros seriam facilmenteapreendidos através da definição de indicadores de natureza quantitativa, enquanto que
os segundos remeteriam para a percepção subjectiva que os indivíduos têm da qualidade
de vida e que é, claramente, muito diferente de pessoa para pessoa, e de estrato social
para estrato social. Este último aspecto é de fundamental importância: os indicadores de
qualidade de vida têm diferentes traduções,consoante a estrutura sócio-económica da
população e, portanto, o mesmo indicador pode ser percepcionado de forma diferente
por estratos sócio-económicos diferentes.
Estes três âmbitos de análise não são, obviamente, mutuamente exclusivos, mas pelo
contrário interligam-se em grande medida. Os principais contributos teóricos para a
análise da qualidade de vida reflectem precisamente essainterdependência, conjugando
os diversos níveis de análise referidos. Três desses contributos, particularmente
relevantes, não só pelos quadros conceptuais propostos, mas, também, pelas reflexões
que suscitam, são de seguida apresentados de forma sucinta.
Uma primeira contribuição, de Allardt (1976, 1981), propõe uma distinção, na análise
da qualidade de vida, entre as chamadas...
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