Durkheim

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A educação como processo socializador: função homogeneizadora e função diferenciadora Émile Durkheim As definições da educação: exame crítico A PALAVRA educação tem sido muitas vezes empregada em sentido demasiadamente amplo, para designar o conjunto de influências que, sobre nossa inteligência ou sobre a nossa vontade, exercem os outros homens, ou, em seu conjunto, realiza a natureza. Elacompreende, diz Stuart MILL, "tudo aquilo que fazemos por nós mesmos, e tudo aquilo que os outros intentam fazer com o fim de aproximar-nos da perfeição de nossa natureza. Em sua mais larga acepção, compreende mesmo os efeitos indiretos, produzidos sobre o caráter e sobre as faculdades do homem, por coisas e instituições cujo fim próprio é inteiramente outro: pelas leis, formas de governo, pelas artesindustriais, ou ainda, por fatos físicos independem da vontade do homem, tais como o clima, o solo; a posição geográfica". Essa definição engloba como se vê, fatos inter diversos, que não devem estar reunidos num mesmo vocábulo, sem perigo de confusão. A influência das coisas sobre os homens é diversa, já pelos processos, já pelos resultados daquela que provém dos próprios homens; e a ação dosmembros de uma mesma geração, uns sobre outros, difere da que os adultos exercem sobre as crianças e adolescentes. É unicamente esta última que aqui nos interessa e, por conseqüência, é para ela que convém reservar o nome de educação. Mas em que consiste essa influência toda especial? Respostas muito diversas têm sido dadas a essa pergunta. Todas, no entanto, pode reduzir-se a dois tipos principais.Segundo KANT, "o fim da educação é desenvolver em cada indivíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz. Mas, que se deve entender pelo termo perfeição? Perfeição, ouve-se dizer muitas vezes, é o desenvolvimento harmônico de todas as faculdades humanas. Levar ao mais alto grau possível todos os poderes que estão em nós, realizá-los tão completamente como possível, sem que uns prejudiquem os outrosnão será, com efeito, o ideal supremo? Vejamos, porém, se isso é possível. Se, até certo ponto, o desenvolvimento harmônico é necessário e desejável, não é menos verdade que ele não é integralmente realizável; porque essa harmonia teórica se acha em contradição com outra regra da conduta humana, menos imperiosa: aquela que nos obriga a nos dedicarmos a uma tarefa, restrita e especializada. Nãopodemos, nem nos devemos dedicar, todos, ao mesmo gênero de vida; temos segundo nossas aptidões, diferentes funções a preencher, e será preciso que nos coloquemos em harmonia com o trabalho que nos incumbe. Nem todos somos feitos para refletir; e será

preciso que haja sempre homens de sensibilidade e homens de ação. Inversamente, há necessidade de homens que tenham, como ideal de vida, oexercício e a cultura do pensamento. Ora, o pensamento não pode ser desenvolvido senão isolado do movimento, senão quando o indivíduo se curve sobre si mesmo, desviando-se da ação exterior. Daí uma primeira diferenciação, que não ocorre sem ruptura de equilíbrio. E a ação, por sua vez, como o penso é suscetível de tomar uma multidão de formas diversas e especializadas. Tal especialização não exclui, semdúvida, certo fundo comum, e, por conseguinte, certo balanço de funções tanto orgânicas como psíquicas sem o qual a saúde do indivíduo seria comprometida, comprometendo, ao mesmo tema coesão social. Mas não padece dúvida também que a harmonia perfeita possa ser apresentada como fim último da conduta e da educação. Menos satisfatória, ainda, é a definição utilitária, segundo a qual a educação teriapor objeto "fazer do indivíduo um instrumento de felicidade, para si mesmo e para os seus semelhantes (James Mill); porque a felicidade é coisa essencialmente subjetiva, que cada um aprecia a seu modo. Tal fórmula deixa, portanto, indeterminado o fim da educação, e por conseqüência a própria educação, que fica entregue ao arbítrio individual. É certo que Spencer ensaiou definir objetiva...
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