Artigo da revista critica marxista

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TRABALHO E CAPITAL
MONOPOLISTA PARA OS
ANOS 90: UMA RESENHA
CRÍTICA
DO DEBATE SOBRE
O PROCESSO DE
TRABAlHO*
PETER MEIKSINS**
Tradução: João Roberto Martins Filho
A publicação do livro de Harry Braverman Trabalho e capital
monopolista, em 1974, foi sem dúvida um dos acontecimentos intelectuais
mais importantes dos últimos vinte anos (1). O livro rapidamente se firmou
como leituraobrigatória entre a esquerda, tomando-se uma das mais citadas
obras contemporâneas da literatura marxista (apenas equiparado, talvez, por
A formação da classe operária inglesa, de E. P. Thompson). Além disso,
Trabalho e capital monopolista logo "cruzou" o mundo acadêmico,
renovando o interesse na história e na sociologia do trabalho e estabelecendo
a agenda para toda uma geração de historiadores esociólogos do trabalho.
Braverman iniciou o que veio a ser conhecido como o "debate sobre o
processo de trabalho", reorientando, assim, o estudo do local de trabalho
para questões como a natureza da qualificação e o aparente declínio do
trabalho qualificado, as estratégias gerenciais de controle dos trabalhadores
e a extensão e natureza da resistência operária a tais estratégias.
A despeitodesse legado, é moda crescente hoje, mesmo na esquerda,
desmerecer o livro como um beco sem saída nas análises sobre o local de
trabalho. Chegou-se a cunhar o termo depreciativo "bravermania" para
caracterizar boa parte do debate (2). E mesmo Paul Thompson, um dos
praticantes mais notáveis da pesquisa sobre o processo de trabalho e autor
de um livro valioso e muito citado sobre o tema, achouadequado dar a um
* Extraído de Monthly Review, 46 (6), novo 1994.
** Peter Meiksins é professor associado de Sociologia na Universidade Estadual de Cleveland, EUA.
1. Harry Braverman, Labor and monopoly capital, Nova York, Monthly Review Press, 1974.
2. Craig Littler e Graeme Salaman, "Bravermania and beyond: recent theories of lhe labor process",
Sociology 16, n° 2 (1982):251-69; vertambém Craig Littler, "The labor process debate: a theoretical
review, 1974-1988", in Labour process theory, organizado por David Knights e Hugh Willmott,
Londres, MacMillan, 1990, pp. 46-94.
106 . TRABALHO E CAPITAL MONOPOLISTA PARA OS ANOS 90
ensaio recente sobre o debate o título "Salvando-se do naufrágio (3)".
Por que esse distanciamento em relação a Braverman? Em parte, isso
reflete críticasà sua obra surgidas desde seu aparecimento, vinte anos atrás.
Assim, ao refletir sobre o legado de Trabalho e capital monopolista,
devemos avaliar a medida em que essas críticas efetivamente acertaram seu
alvo, apontando para a necessidade de revisão ou mesmo rejeição dos
argumentos centrais de Braverman. Entretanto, é também visível que a
posição de se afastar de Braverman é em parte umreflexo de tempos mais
conservadores e da . tendência geral, que atravessa o espectro político, a
abandonar a economia política em benefício da cultura e a substituir análises
fundadas na classe e no trabalho por estudos sobre discurso e identidade.
Alguns críticos de Braverman fizeram o círculo completo, chegando à visão
antes predominante sobre as relações no local de trabalho. Desse modo, éhora de voltar ainda uma vez à crítica que Braverman fez àquela visão
anterior.
Críticas a Trabalho e capital monopolista
Apesar da extensão e da complexidade do debate sobre o processo de
trabalho, as críticas ao livro concentraram-se num número relativamente
pequeno de "falhas" importantes no trabalho original de Braverman.
1. A definição de qualificação
Um dos legados mais notáveis dapublicação de Trabalho e capital
monopolista foi o novo interesse pela natureza da qualificação no trabalho.
Historiadores, sociólogos e outros reagiram rapidamente à análise sobre o
trabalho qualificado desenvolvida por Braverman, produzindo um grande
número de estudos sobre ocupações, o papel da qualificação no local de
trabalho e os esforços dos empregadores para gerenciar os trabalhadores...
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