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LAFER,Celso. "A mentira: um capítulo das relações entre a ética e a política". Em: NOVAES Adauto. Ética. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.225-235

Higor Carlos Cardoso Furtado dos Santos

Lafer diante dos dois posicionamentos em relação a problemática da ética e da mentira, coloca-se como defensor das ideiasde Platão e Benjamin Constant e formula uma justificativa para a mentira, em especial aos casos em que considera estimável o seu uso. No entanto, demonstra que existem duas “correntes” para esse problema que foram propaladas, em específico no Ocidente. Os dois posicionamentos são representados ora por Santo Agostinho e Kant que não admitem a mentira mesmo que se entenda por necessária ora porPlatão e Benjamin Constant que enxergam o lado ruim da prática mentirosa mas que perceber a sua justificalidade para casos excepcionais.
De acordo com Celso Lafer , existe um paralelismo que permeia a relação entre ter uma vida de moral e estar ao poder, retas que raramente irão se encontrar ou nunca. O que gera um incômodo, pois acarreta um desencontro entre a ética e a política de forma quemesmo buscando encontrar virtudes, probidade e lisura na vida pública, não se a achará. A referida constatação ensejou ao autor a uma investigação sobre as relações entre ética e política. Especificadamente tenta justificar a mentira como desvio ao princípio ético da veracidade e o motivo que legitima a ação de mentir do governante, em benefício de toda a comunidade.

À época do fundador dopensamento e da política moderna, Maquiavel, que a “força do leão e a astúcia da raposa”, coragem e habilidade, são consagradas as virtudes importantes no comando da ação política, distanciado da verdade que nunca foi elencada como uma viude política, bem observado pela Hannah Arendt ( 1973). Nesta supremacia, as mentiras têm se revestido de propriedades “verdadeiras”, que se justificam pelascircunstâncias.

Platão em sua obra II da República afirma que o ato de mentir pode sim , não ter caráter odioso ,mas de utilidade. Utiliza o comparativo de que a ação da mentira pode ser “benéfica como o remédio com que atalhamos um mal, quando a usamos contra os inimigos ou quando algum dos que consideramos amigos tenta praticar uma ação má, seja por efeito de um ataque de loucura ou de outraperturbação qualquer” (Lafer, op.cit., p.14). Contudo o filósofo afirma que a verdade deve ser aclamada acima de todas as coisas, conquanto a mentira é circunstancial, como um paliativo que gera benefícios necessários. Dessa forma, cabe as mãos dos médicos a aplicabilidade deste remédio, e estes não são médicos comuns , mas os médicos da polis (governantes), a quem o direito de mentir é permitido“em relação aos seus inimigos e seus concidadãos em benefício da comunidade, sem que nenhuma outra pessoa esteja autorizada a fazê-lo .E se um indivíduo enganar os governantes, será isso considerado uma falta não menos grave que a dos doentes ou do atleta que mentem ao médico ou ao treinador em assuntos atinentes ao seu corpo, ou o marinheiro que não diz a verdade ao piloto sobre o estado do navio ouda tripulação”.
Mesmo com toda a justificativa de Platão, existem um grande embaraço, pois enquanto os governantes gozam do direito de mentir, desde que assim o façam para o benefício dos governados, a comunidade, por sua vez, têm o dever de dizer a verdade em toda e qualquer circunstância. O que consequentemente gera um grande problema ético haja vista que ora se condena moralmente a mentira,ora a justifica dentro de um mesmo ordenamento, no qual o que se diferencia são os níveis de poder de cada qual que prolata a sua verdade, que mesmo que seja mentira estará justificada, comportamentos totalmente assimétricos no que condiz a ética.

No livro Sagrado em Êxodo 20,16 e no Deuteronômio 5,20 está escrito que “Não dirás falso testemunho contra teu próximo” e nos Provérbios 12,22...
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