Diabetes e odontologia

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  • Publicado : 16 de julho de 2012
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PACIENTES DIABÉTICOS NO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO
Dr. Renato Zagury*

O conceito de paciente especial vem sofrendo mudanças nos últimos anos. Não se entende mais como paciente especial apenas o paciente portador de doença mental. Médicos e dentistas têm tentado identificar as características própriasdos portadores das diferentes doenças. O objetivo da Odontologia deve ser avaliar e entender melhor as necessidades individuais de cada paciente.
Devido ao grande número de portadores da doença, seguramente, o cirurgião dentista encontrará em sua rotina pacientes diabéticos nos mais diferentes estágios. Por isso deverá estar capacitado a responder aos questionamentos a respeito dasmanifestações orais do diabetes. O cirurgião dentista tem sua parcela de responsabilidade na saúde do paciente.
Na prática, ao atender diabéticos, pensamos de imediato nas possíveis dificuldades decorrentes da doença que a realização de uma cirurgia odontológica pode determinar, esquecendo os motivos que conduziram o paciente a esta situação.
Como impedir o aparecimento das cáries e de doença periodontal,maiores causadoras de perda dentária, não só nos pacientes em geral mas principalmente nos diabéticos? Pensar em prevenção é fundamental no atendimento ao diabético, principalmente sabendo que sua condição sistêmica poderá facilitar a instalação de doenças da cavidade oral: reprogramação da higiene oral, terapia básica, profilaxia, remoção de cálculo e curativos para adaptação do meio sãofundamentais. Deve ser aplicado flúor em consultório e prescrito para uso domiciliar. Sabe-se hoje que o paciente diabético, bem ou mal compensado, pode ter “picos” de glicemia que podem levar a graus diversos de xerostomia e diminuição da atividade leucocitária — facilitando, respectivamente, o aparecimento das lesões da cárie e o avanço da doença periodontal.
Em Dentística (principalmente emPediatria), deve-se lançar mão de ionômeros de vidro sempre que há indicação. Técnicas como sanduíche resina e ionômero, núcleos de preenchimento e selantes ionoméricos, e remineralização com vernizes fluoretados, entre outras, são excelentes opções.
Se, de algum modo, o paciente apresenta ou tem a possibilidade de redução da função, é obrigatório orientá-lo na sua forma de alimentação, para nãosuprimir refeições ou aumentar o valor energético dos alimentos ao transformá-los em pastosos. A dificuldade de mastigação pode prejudicar o controle do diabetes que é dependente da dieta.
É preciso tranqüilizar o paciente quanto ao procedimento dentário, motivá-lo a cumprir a dieta e a usar os medicamentos prescritos pelo médico. Consultas curtas diminuem o estresse. Pelo mesmo motivo deve-se darpreferência ao horário matinal.
Para melhorar a relação e garantir uma boa atuação, optamos por fazer a glicemia capilar todas as vezes que o paciente diabético vem ao consultório, especialmente quando vamos submetê-lo a intervenção cirúrgica. O estresse do paciente pode levar à hiperglicemia, inviabilizando atos cirúrgicos se os níveis forem acima de 200mg/dl. Em poucos casos o paciente deconsultório dentário estará tão ansioso a ponto de ser necessária sedação, que poderá ser feita com cautela.
O tratamento endodôntico tem resposta mais lenta em pacientes diabéticos. Além disso o conduto radicular é, sem dúvida, via de disseminação bacteriana — o que impõe, além das medidas de assepsia, a irrigação com soda clorada e, em pacientes descompensados, profilaxia antibiótica. É muitoimportante que a obturação seja feita apenas após o uso de hidróxido de cálcio para auxílio reparador do organismo agredido.
O paciente diabético, como qualquer outro, deve ser anestesiado sempre que necessário. A anestesia é muito importante para evitar pânico e estresse. Nossa opção é por anestésicos locais, como o cloridrato de prilocaína, associados a vasoconstritores preferencialmente não...
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