Deslocamento prematuro de placenta

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  • Publicado : 18 de março de 2013
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A gestação apesar de constituir fenômeno fisiológico pode cursar com complicações e riscos para a gestante e feto1. Dentre as doenças específicas desse período, o Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) constitui grave síndrome hemorrágica, sendo considerada emergência obstétrica. É caracterizado pela separação súbita da placenta normalmente inserida no corpo uterino, antes do nascimento do fetoe após a vigésima semana de gravidez2. Geralmente, ocorre em 1% das gestações e tem sido responsável por altos índices de mortalidade perinatal e materna no Brasil3,4. O descolamento pode ocorrer parcial, completamente ou envolver apenas a margem da placenta. Casos em que ocorra separação maior que 40-50% pioram o prognóstico perinatal, determinando restrição de crescimento intra-uterino ou óbitofetal5. Classicamente o DPP cursa com hipertonia uterina, dor repentina intensa e localizada geralmente no fundo do útero, seguida de perda sanguínea externa. Os resultados maternos dependem da extensão da área placentária descolada, da perda sanguínea, da gravidade das alterações vasculares e da presença de insuficiência renal aguda. Complicações como embolia do líquido amniótico e estadoshipertensivos graves podem conduzir rapidamente a um quadro de DPP6. O prognóstico perinatal costuma ser grave devido à hipoxia causada pela insuficiência placentária, sendo frequente óbito fetal, prematuridade e baixo peso ao nascimento (BPN). Os estados hipertensivos na gestação constituem principal fator de risco no determinismo do DPP. A hipertensão materna está relacionada a 50% dos casos gravesde DPP5,7. A Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHEG) ocorre em 5-10% das gestações, sendo classificada pelo Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia em: 1) Hipertensão arterial induzida pela gestação nas mulheres que desenvolvem hipertensão durante a gestação; 2) Pré-eclâmpsia, nas que estão hipertensas e apresentam proteinúria; 3) Eclâmpsia, nas com pré-eclâmpsia que evoluem comcrise convulsiva e/ou coma; 4) Síndrome HELLP em mulheres com pré-eclâmpsia que desenvolvem trombocitopenia, hemólise e elevação das enzimas hepáticas; 5) Hipertensão arterial crônica quando a mulher é hipertensa antes da gestação e 6) Hipertensão arterial crônica superposta por pré-eclâmpsia ou eclâmpsia8,9. A DHEG, por si só representa grande perigo materno e perinatal e, quando associada ao DPP,exige cuidados especializados imediatos para amenização do quadro. OBJETIVO: Investigar a relação entre DPP e DHEG, bem como desfechos maternos e perinatais, em gestantes atendidas numa maternidade de alto risco do estado de Alagoas. METODOLOGIA: Estudo descritivo transversal de abordagem quantitativa, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa e realizado através de consulta aos prontuários degestantes internadas em maternidade de alto risco para tratamento de DPP no período de janeiro de 2006 a setembro de 2009. A amostra totalizou 99 gestantes de acordo com os críterios de inclusão e exclusão. Foram avaliadas as seguintes variáveis: prevalência de DHEG nos casos de DPP; relação entre o tipo de distúrbio hipertensivo com o grau de gravidade da DPP; paridade; uso do Sulfato de Magnésio(MgSO4); presença de complicações maternas; necessidade materna de Unidade de Terapia Intensiva (UTI); Apgar do recém-nascido (RN) no 1º e 5º minutos; prematuridade; peso ao nascer e necessidade de UTI Neonatal (UTIN). RESULTADOS E DISCUSSÃO: No período estudado foram atendidas 174 mulheres com diagnóstico de DPP, dessas, 99 apresentavam DHEG, correspondendo 56,79% dos casos, sendo esta associaçãocomum no meio obstétrico10,11,12. Estudo realizado na Tunísia, relacionando DPP com os principais fatores de risco na gestação, constatou que a prevalência de DPP associado com hipertensão era de 44,4%13. Com relação à paridade 35,35% eram primíparas e 63,64% multíparas, ficando clara a influência da paridade na incidência de DPP, já que essa aumenta de 3-6 vezes nas multíparas. Estudo realizado...
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