Desenvolvimento Socio Economico

Páginas: 34 (8454 palavras) Publicado: 13 de abril de 2015
  O jovem economista sul-coreano Ha-Joon Chang, formado na Universidade de Cambridge, traz importante contribuição à perspectiva de países em desenvolvimento, amparado por um olhar histórico de relevância incontestável. A publicação, datada de 2002 (com lançamento no Brasil em 2004), se constrói sobre bases teóricas substantivas, ligadas ao pensamento desenvolvimentista/nacionalista econômico,se encontrando amplamente sintonizada à sua época, onde debates como o “Jubileu 2000” - o famoso ‘perdão’ à dívida externa dos países pobres - pipocavam em um planeta cada vez mais polarizado pela miséria abissal, pelos problemas ambientais em espiral ascendente e pelo subdesenvolvimento crônico; mesmo que já passada uma década da vitória ocidental na Guerra Fria, as promessas quentes de ‘níveissem precedentes de prosperidade material’ jamais teriam se concretizado para a maior parte dos ‘cidadãos globais’, na verdade.
    Com fôlego e alguma indignação, desfazer diversos mitos históricos sobre o que ele chama de “Países Atualmente Desenvolvidos” (PAD’s) torna-se uma constante na obra e, para o leitor, uma intrigante provocação. Chang lança uma outra abordagem sobre um problema inerente atoda nação que se almeja maior progresso e projeção sustentável em ambiente regional ou internacional: o que fazer para obter progresso e assim alçar melhor condição?

    Segundo Chang, muitos interlocutores contemporâneos poderiam consubstanciar que a governança empresarial, o Judiciário e Banco Central independentes, as bases tarifárias, a democracia, a orientação da burocracia, o sistemabancário, os regimes de direito e proteção sobre a propriedade intelectual (e privada), entre outros pilares fundamentais das ‘boas políticas’, são parâmetros impreteríveis e que os paísesm em desenvolvimento devem observar atentamente as indicações, ou ainda o histórico do progresso institucional dos chamados PAD’s para, de alguma maneira, apreender lições e obter a tão almejada ascensão doméstica einternacional. Contudo, o autor rechaça essas chaves explicativas com argumentação profundamente calcada em bases metodológicas sólidas o suficiente para afirmar com convicção de que essas orientações rezam à conveniência perspicaz para com os objetivos dos países desenvolvidos.

    Precisamente nesse momento, Chang faz uso da expressão “chutar a escada”, cunhada por Georg Friedrich List - um dosinspiradores da Zollverein, União Aduaneira fundamental para a unificação alemã - em “Sistema Nacional de Economia Política”. Autor um tanto esquecido, entretanto fundamental se pensamos o nacionalismo como um dos três pés doutrinários da economia política.

    Em 1841, List via um mundo cuja pujança da economia britânica era atestada, e as políticas de livre-comércio eram premissas tão profundasquanto dogmáticas. Mas, para esse autor aqui relido, não parecia muito claro que essa era a melhor orientação para o desenvolvimento dos países envolvidos nessa segunda leva; pelo contrário, para List o discurso de liberalização das economias em detrimento da proteção às economias nacionais era um ‘chute’ para longe na mesma escada utilizada pela potência hegemônica daquele período. List fez valerde abordagem histórica para compreender que, após utilizar-se de políticas protecionistas de incentivo a indústria nascente, a Grã-Bretanha - sua unidade central de análise, juntamente com Portugal, Espanha, Holanda, entre outros - progressivamente passou a pregar o livre-cambismo na medida em que a sua economia encontrava-se em etapa do desenvolvimento favorável a tal doutrina.

    Ou seja,“Deram-se conta de que recém-criada indústria nacional não teria chance de sucesso em livre-concorrência com as estrangeiras, estabelecidas há muito mais tempo”. O jogo detectado por List era o de um grave impedimento sobre o processo de industrialização em que outros países se encontravam, em palavras mais simples. List, por sua vez, era tributário de Alexander Hamilton - então o 1º secretário do...
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