Descartes- o cogito e a ideia de deus.

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  • Publicado : 25 de março de 2013
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Não se pode falar sobe a ideia de Deus em Descartes sem falar antes do cogito, pois é a partir deste que todo o pensamento cartesiano se desenvolve. Deus e o cogito têm uma relação de dependência mútua num sentido existencial que se dá na atividade do próprio cogito. O objetivo de Descartes é encontrar o caminho seguro a ser percorrido por aqueles que desejam conhecer algo de firme e deconstante nas ciências.
Para se chegar ao cogito, Descartes se utilizou de um método, criado por ele mesmo, extremamente eficiente e que o ajudou a definitivamente descobrir o que ele sempre buscou, ou seja, uma verdade indubitável.

O método consistia em três necessidades bastante simples:

1- Necessidade prévia de duvidar
2- Necessidade de nada excluir da dúvida3- Necessidade de tratar como provisoriamente como falsas as coisas que estavam impregnadas do menor motivo de dúvida (verossímeis).

Descartes defende, pois que, para chegar à verdade, temos de duvidar de tudo. Todas as coisas em que aparecer a menor dúvida devem ser tomadas por falsas. Assim temos que duvidar das coisas sensíveis, pois os sentidos muitas vezes erram. Além disso,quando sonhamos, passamos por diversas sensações ou imaginamos coisas que, apesar de parecerem reais, não têm realidade fora de nós. Devemos ainda duvidar daquilo que antes tínhamos tomado como certo, mesmo das demonstrações matemáticas.

No entanto, no próprio momento de duvidar, Descartes reconhece que, pelo menos, aquele que duvida, tem que existir:

“Não podemosduvidar de que existimos quando duvidamos; e este é o primeiro conhecimento que obtemos filosofando com ordem. Assim, rejeitando todas aquelas coisas de que podemos duvidar de algum modo, e até mesmo imaginando que são falsas, facilmente supomos que não existe nenhum Deus, nenhum céu, nenhuns corpos; e que nós mesmos não temos mãos nem pés, nem de resto corpo algum; mas não assim que nada somos, nós quetais coisas pensamos: pois repugna que se admita que aquele que pensa, no próprio momento em que pensa, não exista. E, por conseguinte, este conhecimento, eu penso, logo existo, é o primeiro e mais certo de todos, que ocorre a quem quer que filosofa com ordem.”

Descartes, Princípios da Filosofia, I Parte, p. 55.E se existisse um gênio maligno, uma entidade do mal, disposta a me enganar todo o tempo? A conclusão do filósofo foi imediata: Mesmo que esse gênio usasse toda sua força para nos enganar e nos fazer pensar que o que existe não existe, mesmo assim alguma coisa de real nos restaria. E essa coisa é o cogito: nossa capacidade de pensar. Ainda que nós estivéssemos submetidos aos enganos delenós estaríamos, acima de tudo, pensando.

E agora? O que fazer a partir desta constatação? Descartes, é lógico, não queria se encerrar nesta afirmação e seguir a sua vida. Ele queria mais. É neste momento que ele, cuja intenção era a de “derrubar todo o edifício do conhecimento humano”, pode então iniciar a longa cadeia de razões que vai se constituir nos novos alicerces doconhecimento com o Cogito.

Através do argumento das ideias é que Descartes nos levará a ideia de Deus e assim, posteriormente relacioná-la com o cogito.

Existem no homem três tipos de ideias:

1- Adventícias: que são aquelas que vêm de fora (ideia de um ma cadeira vermelha)
2- Fictícias: são ideias inventadas
3- Inatas: são as que permanecem no homem e que asultrapassam (ideia de Eu e de Deus)

As ideias inatas de Perfeição e Infinito dão a Descartes o alicerce necessário para uma das provas da existência de Deus. A ideia de finito antecede a ideia de infinito, pois o finito não pode conceber o infinito. Igualmente acontece com a ideia de perfeição: o menos perfeito não pode chegar ao mais perfeito, ou seja, a ideia inata que o homem tem...
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