Delinquencia juvenil

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CIEA7 #7: MODERNIDADES, MARGINALIZAÇÃO E VIOLÊNCIA: ESTRATÉGIAS DE
SOBREVIVÊNCIA E AFIRMAÇÃO DOSJOVENS EM CABO VERDE E GUINÉ-

BISSAU.

Redy Wilson Lima
redywilson@hotmail.com

Thugs: Vítimas e/ou Agentes da Violência?

A Cidade da Praia deparou-se nos últimos anos com ondas preocupantes de violência juvenil urbana, por suposta culpa de uma nova figura social emergente – os thugs. O seusurgimento como um movimento associativo juvenil relacionado a actos delinquentes, enquadrado num contexto social desigual, visa buscar estratégias de afirmação pessoal e social. Não obstante as várias tentativas político-constitucional em os controlar, as bruscas mudanças verificadas nas últimas décadas, numa sociedade com marcas históricas de situações violentas, desencadearam

comportamentos dereivindicação juvenil, influenciados por valores reproduzidos de outros contextos, constituindo-os como uma tribo urbana violenta, sem nada a perder. Esta comunicação propende compreender em que medida esses jovens agruparam-se como um movimento capaz de fazer tremer os alicerces sociais instituídos, partindo dos possíveis desencadeadores da violência por eles propagados..

Jovens, Associativismojuvenil, Violência juvenil.



CEPEA, Universidade de Santiago.
7.º CONGRESSO IBÉRICO DE ESTUDOS AFRICANOS | 7.º CONGRESO DE ESTUDIOS AFRICANOS | 7TH CONGRESS OF AFRICAN STUDIES LISBOA 2010

Redy Wilson Lima

2

INTRODUÇÃO
Em 2006 no âmbito de uma investigação etnográfica sobre as crianças em situação de rua, deparamos com um fenómeno em processo de institucionalização que alterou por completo o modode vida dos praienses e a forma como lidam com a segurança urbana. Na necessidade de fazer uma melhor leitura sobre a realidade das crianças que passam a maior parte do tempo na rua e tentando fugir aos chavões importados de realidades sociais outras, para melhor explicar realidades contextualizadas num tempo e num espaço específico, criamos uma tipologia onde identificou-se cinco tipos desituações1 em que as crianças se encontravam relativamente à distância familiar e ao controlo. Perante isso, despertou-nos a atenção um grupo específico que em relação à família encontrava-se a uma distância relativa, dado que, estavam inseridos numa unidade familiar apesar de passarem a maior parte do tempo incrustados nas imediações dos bairros onde residem, controlados pelos grupos de pares, cometendoactos considerados desviantes. Os relatos sobre acções de grupos de jovens delinquentes não são uma novidade na Cidade da Praia, visto que nos anos 80 do século XX já existiam grupos de jovens conhecidos como “piratinhas” que praticavam pequenos delitos.

Posteriormente, no início dos anos 90 jovens residentes na linha Achada Grande Frente/Lém Ferreira criaram um grupo denominado “netinhos de vovó”2que actuavam, entre outros locais, nas imediações do Parque 5 de Julho, principalmente quando decorriam eventos culturais. O surgimento de jovens auto-proclamados thugs traz à baila uma redefinição do fenómeno da violência juvenil, tornando, desta feita, a violência urbana num problema social em meados dos anos 2000. Este termo importado dos ghettos norte-americanos é apropriado pelos jovensdesafiliados, numa perspectiva de valorização do que é estrangeiro, como é habitual, na busca de uma afirmação pessoal e social, não se preocupando, por um lado, com o significado pejorativo que está subjacente a ele e por outro lado, deturpando a carga filosófico-política de reivindicação político-social que antecedeu o movimento Thug Life criado pelo rapper norte-americano Tupac Shakur.

1Auxiliares nos mercados informais de rua – filhos das rabidantes; abertos à institucionalização da delinquência - crianças desprotegidas nos bairros de origem; institucionalização da delinquência – crianças associadas a grupos delinquentes: thugs; institucionalização da rua como meio de vida sem ruptura – trabalhadores infantis; e profissão rua – crianças trabalhadoras autónomas: “crianças de rua”. 2...
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