Cura da aids

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  • Publicado : 21 de janeiro de 2013
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Procura-se o vírus da Aids vivo ou morto. “De preferência morto”, completa o virologista chinês naturalizado americano David Ho, com os olhos apertados pelas bochechas, vendo graça na própria brincadeira. A verdade é que ele ri quase o tempo todo. E não é à toa. Às vésperas de completar 44 anos, o diretor do Centro de Pesquisas sobre Aids Aaron Diamond, em Nova York, é o mais festejadopesquisador do HIV, o vírus que já dizimou 4 milhões de pessoas em todo o planeta e hoje se hospeda no organismo de outros 22 milhões. Claro: Ho foi a estrela da XI Conferência Internacional sobre a Aids, que lotou Vancouver, no Canadá, com mais de 15 000 investigadores científicos em julho passado.
Ali, ele e sua equipe mostraram os resultados animadores de uma nova família de drogas que inibem uma enzimaviral chamada protease. De outubro de 1995 a fevereiro deste ano, 21 pacientes foram medicados. Deles, um desistiu e outros dois reagiram mal ao remédio. Mas dezoito passam bem. “Eles eliminaram 98,9% dos vírus”, explica Ho, que chegou a esse valor graças a complicadas equações. E onde estaria o 1,1% restante? “Boa pergunta”, sorri de novo, mas desta vez um riso amarelo.

Onde está o HIV?

Abusca dos esconderijos começa este mês, nos primeiros voluntários que já completaram um ano tomando inibidores da protease junto com AZT e outra droga parente do AZT. “Vamos retirar amostras dos tecidos suspeitos para rastrear a presença de genes do vírus”, conta o agitado médico americano Martin Markowitz, braço direito de David Ho no laboratório nova-iorquino. Se o HIV ainda existir, ospesquisadores vão ter de buscar alternativas diferentes conforme o canto do corpo onde ele for encontrado (veja os locais mais suspeitos abaixo). “É cedo para alguém falar em cura”, diz seco, calando aqueles que, eufóricos, ousaram pronunciar essa palavra. Não foram poucos.
O coro de vozes esperançosas tem em parte razão. Markowitz tem razão também. Se ele, Ho e sua turma vão encontrar o HIV vivo oumorto, isso vai depender muito de em quem irão procurar. Explica-se. Quando seus famosos 18 pacientes começaram a receber o coquetel de vinte comprimidos diários, mal tinham completado três meses de infecção. “Na prática, quase ninguém descobre que carrega o vírus em um prazo tão curto”, observa o infectologista brasileiro Jamal Suleiman, responsável pelas experiências pioneiras com inibidores deprotease no país, realizadas no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo. Sim, podemos afirmar que os dezoito pacientes de Ho estão a 1,1% da cura. E mais: por terem sido medicados em um zás-trás, há uma chance de seu organismo derrotar a minoria que driblou o ataque dos comprimidos.
No entanto, existem outros pacientes que, há quase dois anos, quando os inibidores estavam em fase experimental, passaram areceber o trio de medicamentos. Eles estavam em estado grave. Com o novo tratamento, viram a quantidade de vírus em seu corpo despencar enquanto as doenças oportunistas sumiam. Essa gente também está, sob certo aspecto, a 1,1% da cura. Mas, para eles, nada garante que o 1,1% será vencido.

O fugitivo aguarda quieto

“A minoria sobrevivente dos vírus deve estar onde a droga não entra”, diz Ho,com seu inglês sem sotaque, que sai aos solavancos como se falasse chinês. Entre as frases apressadas, pausas quase eternas. Finalmente dispara o “x” da questão: “Mas, também, se as drogas não lhes provocassem nenhum efeito, já teriam crescido outra vez.” Então ele ri, nervoso: “Ora, que diabos está acontecendo?”.
Isso ele e seus colegas só poderão responder quando encontrarem o HIV. E quando oacharem farão uma proposta ao paciente: interromper a medicação para que eles examinem, de olho nas células onde o HIV se refugiou, no que tudo vai dar.
O doente poderá optar por conti-nuar com os comprimidos, claro. Mas não será uma escolha menos arriscada. Hoje se sabe que os inibidores provocam náuseas, danos nos rins e no fígado. O amanhã é um ponto de interrogação. A longo prazo, engolidos...
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