Crack

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http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/506022-crack-uma-questao-de-saude-publica-entrevista-especial-com-marcelo-ribeiro-de-araujo


Paulo Roberto é professor da UFMT/ROO – bororop@terra.com.br





Crack: um problema de saúde pública



O crack vem se espalhando pelo país e já se transformou num dos principais problemas para a maioria dos municípios brasileiros. Uma pesquisa que foifeita pela Confederação Nacional de Municípios CNM, ouviu 4.400 das 5.563 prefeituras do país, e conclui que para 63,7% delas, o crack já causa problemas extras para os serviços públicos de saúde. Dos municípios consultados, 58,5% informaram que a circulação do crack e de outras drogas também tem provocado problemas preocupantes na segurança, enquanto 44,6% responderam que o serviço deassistência social é outra rede que foi afetada seriamente.
De acordo com a pesquisa, o aumento da violência, onde se pode destacar a crescente incidência de estudantes armados nas escolas (públicas e particulares), é um dos principais problemas.
Outros motivos de preocupação para os municípios são a falta de estrutura para atendimento de dependentes e de recursos para prevenção, tratamento, reinserçãosocial e combate ao tráfico. A omissão dos governos federais e estaduais é um das principais causas dessa situação, que acaba sobrecarregando os municípios, que são obrigados a assumir a responsabilidade de combater o crack e os problemas decorrentes do seu consumo.
A pedra maldita já provoca uma epidemia de homicídios no país, e suas principais vítimas são jovens de 15 a 24 anos, especialmente noNordeste.
As pessoas têm de saber que é uma droga muito sedutora e prazerosa, mas capaz de criar uma dependência química sem relação com outras drogas. O usuário não pode cair na visão ingênua de que vai conseguir fazer uso controlado do crack, pois a chance disso acontecer é quase nula.
A timidez do apoio do Estado à política de atendimento aos usuários tem de acabar, e ele precisa enfrentar odesafio de forma objetiva e responsável e não apenas oferecer ajuda na alimentação dos dependentes.
O pior de tudo é que enquanto as autoridades se omitem, o problema se agrava com o crescente consumo de outras drogas devastadoras, como o oxi, por exemplo, mais barata e letal que a própria pedra da morte.


Os investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes, iniciaramnos anos 2000, e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicos. O preconceito em relação ao tratamento, também contribui para a desarticulação, porque ainda existem pessoas que acham que ‘passar a borracha’ nos usuários  é a melhor solução para acabar com as drogas. 


O desafio em relação ao tratamento dos usuários de crack é tratar o caso como um problema desaúde pública. Nesse sentido, avalia os Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps - AD) representam um avanço, “mas os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido”. E dispara: “O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade toda no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam comos Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil”.


Esta epidemia social se alastra e contamina hordas de simples trabalhadores rurais, de pobres coitados nos centros urbanos, de mendigos nas grandes, médias e pequenas cidades, em todas as regiões do Brasil. Se não bastasse tão diversificadoperfil de usuários, a constatação de que jovens de classes médias e altas também integram a lista das últimas vítimas desta epidemia que se tornou mania entre uma grande maioria dos adolescentes brasileiros. Segundo algumas pesquisas, é um contingente tão variado dos que usam tal droga, que chega difícil identificar e traçar realmente um perfil de como prevenir e tratar os que são acometidos por...
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