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Etapa 1

Custo de oportunidades

http://consumidormoderno.uol.com.br/experiencia/os-r-100-bilh-es-da-copa-de-2014

Os R$100 bilhões da Copa de 2014
Sex, 09 de Setembro de 2011 00:00 Redação EXPERIÊNCIA

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Por Fabrício Pessato*

No mês de julho, o ex-jogador de futebol Romário afirmou que a Copa do Mundo de 2014 custaria ao Brasil mais de R$ 100 bilhões. No país dofutebol, será que esse seria um “preço pequeno” a se pagar para dar alegria ao povo brasileiro? Afinal, quem ganha e quem perde com a Copa de 2014? Melhor ainda: o que se perde?

Por mais que você aprecie o bom futebol, será que vale a pena pagar tão caro? Um conceito importante em Economia é o “custo de oportunidade”. Em breves palavras, custo de oportunidade é aquele em que se incorre ao deixar deaproveitar uma oportunidade óbvia. Por exemplo, um imóvel fechado tem o custo de oportunidade de deixar de render aluguel ao dono. Uma fábrica de sapatos poderia ter um custo de oportunidade se não produzisse cintos e bolsas. E há ainda o custo de oportunidade quando um empresário opta por um segmento x e um segmento y apresenta rentabilidade maior.

No caso da Copa de 2014, poderíamos falar em“custo de oportunidade social”. Que seria o custo em que incorre toda a sociedade ao optar por gastar tantos recursos em um evento e deixar de investir em outras áreas. Assim, que custos de oportunidades sociais representariam o evento?

Com R$100 bilhões, poderiam ser construídas, por exemplo, 24.444 quilômetros de ferrovias, suficientes para integrar o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste.A situação de infraestrutura dos transportes no Brasil é precária. A solução passa necessariamente pelo estabelecimento de uma malha ferroviária eficiente, que retiraria das rodovias federais caminhões que percorrem distâncias superiores a 500 quilômetros. O dinheiro da Copa poderia ser utilizado para esse fim. Comunidades inteiras que hoje estão em áreas esquecidas pelo Estado seriambeneficiadas. Os ganhos para toda a sociedade brasileira seriam um multiplicador da soma investida.

Poderiam ainda ser construídos 625 quilômetros de metrô. Grandes cidades onde o trânsito já está em situação caótica seriam beneficiadas. Todos os estudos sobre mobilidade urbana apontam que a solução passa necessariamente pelo investimento em transportes públicos coletivos e o metrô é o que tem se mostradomais eficiente em todo o mundo. O intervalo em que o cidadão fica parado no trânsito é “tempo morto”: não produz qualquer benefício e ainda gera estresse. Quanto o país ganharia se tais R$100 bilhões fossem investidos em metrô?

Que tal 56 portos? Sabe-se que um dos principais gargalos ao comércio exterior brasileiro é a sobrecarga nos portos. Portos como o de Santos (SP), Tubarão (ES), Guaíra(PR), Itajaí (SC), dentre outros, já operam há tempos acima da capacidade. Intermináveis filas que se estendem às estradas são um problema grave que aumentam o chamado “Custo Brasil”.

Se o problema é geração de energia, R$100 bilhões poderiam ser usados para a construção de 30 usinas hidrelétricas com capacidade para atender 2,7 milhões de habitantes cada, totalizando 81 milhões de pessoasatendidas. O montante também poderia ser usado para construção de 1,122 milhão de moradias, resolvendo cerca de 20% do déficit de habitação. Poderiam ser construídos 3.597 hospitais e ajudar a reduzir as filas do S.U.S.

Enfim, R$100 milhões poderiam pagar o salário de 324.023 professores durante 20 anos. E aqui a inversão das prioridades no Brasil se torna flagrante: população com baixo níveleducacional é mais suscetível à aceitação, à conformação e, por que não dizer, à submissão ao que impõe a classe política mal intencionada. E se cria um círculo vicioso: a população é mal instruída porque investimento em Educação não é prioridade e não há investimento em Educação porque a população é mal instruída.

Eis a pergunta final: por mais que você aprecie o bom futebol, será que vale a...
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