Competencia

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COMPETÊNCIA OU QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: NOÇÕES QUE SE OPÕEM OU DE COMPLEMENTAM?


Erika Porceli ALANIZ[1]


O surgimento da noção de competência
Nos anos 90, a terminologia competência, já conhecida no repertório da lingüística e das ciências psicológicas de matriz comportamental, éutilizada no vocabulário das organizações produtivas em um momento marcado pelo desenvolvimento das políticas de emprego orientada pela busca de flexibilidade nas empresas e mudanças organizacionais na gestão de recursos humanos. Como se tivesse emergido da base material, essa terminologia tem sido reconhecida pelas organizações produtivas, instituições educacionais como substituta da noção dequalificação profissional ancorada nos postos de trabalho.
Tanguy (1997) aponta que a lógica da competência desenvolve-se em um contexto de contração massiva dos empregos, mudanças aceleradas nas tecnologias de produção e de processamento de informação, aumento da concorrência nos mercados das formações profissionais e políticas dos assalariados (Tanguy,1997:186). Nesse sentido, mencionaque na França as idéias elaboradas entre a organização de uma empresa e a formação dos assalariados foram sistematizadas, expressas em um acordo mais geral denominado CAP 2000[2], pela crise da empresa siderúrgica que se viu impossibilitada de oferecer aos assalariados uma mobilidade profissional e desenvolvimento normal em suas carreiras, tal como era previsto desde 1971 (Tanguy, 1997:173).
Éatravés da gestão participativa e por necessidade da empresa renegociar grades de classificação que se encontra o conteúdo do acordo construído em torno das competências. Desse modo, o que motivou a criação de uma organização formadora baseada em critérios de competência foi a própria necessidade de desviar o foco do financiamento e buscar ações integrativas dos trabalhadores aos interesses daindústria.
Essa estratégia de racionalização produtiva, que permeia o surgimento da noção de competência, encontra-se em consonância com uma das tendências do capitalismo apontada por Marx (2001), na qual o capital para expandir-se e acumular tenderá a reduzir seus gastos em força de trabalho. Tendo em vista que a sistematização da lógica da competência origina-se das necessidades de cortaros gastos com a formação dos trabalhadores, parece possível dizer que essa noção constitui-se como uma das estratégias capitalista no processo de racionalização em curso na sociedade.
O processo de reestruturação em curso nas empresas capitalista, reflexos do processo mais amplo de mundialização do capital, impulsionam as empresas capitalistas a pensarem suas estratégias de formação em termosde competência, tendo em vista
“necessidades de gerar estratégias competitivas em mercados globalizados, estratégia de produtividade requer aprendizagem, gestão de recursos humanos que procura integrar gerência e trabalhadores para a definição de competências e exigência de atores sociais com melhores qualificações como exigência da ISO 9000.”( Mertens:1996)[3]


Assim, a noçãode competência procura adequar a formação profissional às exigências de racionalização de uma nova forma de organização do trabalho.
Para melhor compreender o significado que essa noção tem assumido, tendo em vista que não podemos dar conta da totalidade que abrange o conceito, abordaremos três aspectos da noção de competência que parecem ser reveladores de pontos essenciais que envolvemessa noção, São elas: a competência articulada a noção de qualificação profissional, o saber ser como um conceito peculiar da noção competência e o estabelecimento de consenso entre os diferentes atores nas tomadas de decisões. Trabalhar-se-à nesse artigo com duas vertentes conceituais distintas e conflitantes, uma de enfoque sócio-cognitivista que faz referência recorrente ao desenvolvimento...
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