Codigo de etica 1986

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Da década de 1930 a 1940, expressões como “auto-ajuda”, “fazer seus próprios planos” e “tomar suas próprias decisões” marcaram a reflexão sobre a prática do Serviço Social. Viu-se o direito do “cliente” ultrapassar o âmbito da participação: as responsabilidades para fazer planos e tomar decisões eram transferidas do Assistente Social para o “cliente”. Segundo Biestek (1960), esta práticacontribuiu para o crescimento e o desenvolvimento da liberdade do “cliente”, auxiliando na maturação da personalidade humana. Neste período, acentuava-se a discussão sobre a liberdade da pessoa humana como um requisito essencial para a defesa de sua dignidade. Sobre tal assunto, Pereira (apud Guedes, 2003a, p.4), em um artigo publicado em 1940, ressaltava que em qualquer circunstância o que deveprevalecer é a “dignidade da pessoa humana, o ser livre, que deverá ser esclarecido, orientado, porém, nunca coagido.”
BIESTEK, Félix P. O relacionamento em serviço social de casos . Trad. Mercedes Marchant. Porto Alegre: PUC-RS, 1960.

2.2. O Movimento Político-Militar de 1930 e a Implantação do Corporativismo
O desenvolvimento capitalista, tendo por núcleo central da acumulação a economia cafeeira,traz contraditoriamente o aprofundamento da industrialização, a urbanização acelerada, com a diferenciação social e diversificação ocupacional resultantes da emergência do proletariado e da consolidação dos estratos urbanos médicos.
A política de defesa permanente do café permite, ainda no primeiro qüinqüênio de 1920, um período de apreender prosperidade. A burguesia ligada ao complexo cafeeiro,que dirige o Estado, constantemente é ameaçada por outras parcelas da classe dominante, que procuram redefinir, em proveito de sua própria expansão, as diretrizes e benesses da política econômica e, pela tensão das classes dominadas, que pela sua luta em prol da cidadania social abre mais uma área de contradição entre o setor industrial e a fração hegemônica, isto porque algumas medidas sociaissão implementadas.
Portanto, o fim da década de 20 é marcado pela decadência da economia cafeeira e pelo amadurecimento das contradições econômicas e complexidade social advindas do desenvolvimento capitalista baseado na expansão do café.
A crise de 1929 acelera o surgimento das condições que possibilitam o fim da supremacia da burguesia cafeicultora, porque mantém uma política de equilíbriofinanceiro, abandonando a política de defesa de preços e subsídios aos produtores. Aglutina as oligarquias regionais não vinculadas à economia cafeeira, setores do aparelho do Estado e fração majoritária das classes médias urbanas que reclamavam o alargamento da base social do regime, a fim de assegurar área de influência para defesa de seus interesses econômicos. Assim, forma-se uma coalizãoheterogênea sob a bandeira da diversificação do aparato produtivo e da reforma política, que desencadeia o movimento político-militar de 1930, pondo fim a Velha República.
Não há uma substituição imediata do bloco hegemônico e nem de uma classe por outra, em relação ao acesso ao poder. O que ocorre, no processo de transição, é que a política econômica é orientada para além de preservar a cafeicultura,favorecer também o sistema produtivo voltado para o mercado interno e para diversificar a pauta de exportações. Para tanto, estabelece-se um “Estado de Compromisso”. Só que este está ligado aos interesses mais globais que resultam do fortalecimento de um novo polo hegemônico e de uma redefinição da inserção na economia mundial.
Frente à necessidade de redefinição da política econômica, a fim degarantir a acumulação e, uma conjuntura de acirramento das contradições entre as oligarquias regionais, que brigam entre si pela supremacia, a mobilização dos setores urbanos médios e o ascenso da organização política e sindical do proletariado, o Estado assume paulatinamente uma organização corporativa, canalizando para sua órbita os interesses divergentes.
A política social do Estado Novo está...
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