Cesariana

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Rotinas em obstetrícia/FERNANDO FREITAS et al. 6ª ed Porto Alegre: Artmed p. 390-408, 2011

CESARIANA
A cesariana é definida como o nascimento do feto mediante incisão na parede abdominal e uterina, é uma das cirurgias abdominais mais comumente realizadas em mulheres no mundo todo. O Brasil, ao lado do Chile, Argentina e Itália, figura entre os quatro países com os maiores índices decesariana. É um procedimento que data desde a antiguidade, mas que, nos últimos dois séculos, mudou muito em termos de indicações, objetivos, técnicas e consequências.

HISTORIA
De acordo com a mitologia grega, Apolo retirou Asclépio, deus da medicina, do ventre de sua mãe, Coronis, após ela ser morta pela deusa Ártemis. A lenda reflete o único objetivo da cesariana na antiguidade: retirar umfeto vivo de uma mãe já morta. Isso era realizado como ultimo recurso para salvar a criança ou mesmo por motivos religiosos (para enterrar ou cremar a mãe e o filho separadamente); a Lex Regia, de Numa Pompilius (715-673 a.C.), posteriormente conhecida como Lex Cesarea, proibia que uma mulher grávida falecida fosse enterrada até que a criança fosse retirada do seu abdome (Lurie;Glezerman,2003). Oprimeiro caso relatado de sobrevivência tanto da mãe quanto do feto data de 1500 d.C., na Suíça.
A era da cesariana moderna iniciou quando Sänger, em 1882, recomendou fechar todas as incisões uterinas imediatamente após a cirurgia. No mesmo ano, Kehrer propôs o uso da incisão uterina transversal baixa, no nível do orifício interno, medida que somente veio ser popularizada por Monro Kerr, a partirde 1926. Por meio da combinação de anestesia, assepsia, sutura e da não interferência precoce no trabalho de parto, a mortalidade materna associada à cesariana reduziu drasticamente: no início século XIX, era de 65 a 75%; no final desse mesmo século, havia caído para 5 a 10% (Todman, 2007).Hoje a mortalidade materna relacionada à cesariana é estimada em 0,05%(Villar et al.,2007)
Não há duvidaalguma sobre o grande valor da cesariana para salvar vidas e prevenir sequelas neonatais outrora comuns, principalmente advindas dos partos distócicos. No entanto, o aumento da incidência de cesariana, além do limite de seus benefícios, incrementa a morbidez e o custo, podendo transformar a solução em problema.



EPIDEMIOLOGIA: O ÍNDICE DE CESARIANAS
As estimativas globais indicam grandevariação no índice de cesarianas (IC), partindo de 3,5% na África e chegando a 29,2% na América Latina e Caribe. Os levantamentos nos Estados Unidos, Reino Unido e China registram índices entre 20 e 25%. Um grande estudo na América Latina observou taxas tão baixas quanto 1,6% em um hospital haitiano, tão altas quanto 40% no Chile e acima de 50% na maioria dos hospitais privados latino-americanos. Ospaíses africanos são os que registram o menor IC: de 0,3% na Nigéria a 10,5% no Quênia. Antes dos anos 1970, entretanto, o IC, na maior parte dos países com renda per capita alta ou intermediaria variava entre 3 e 5% (Hofmeyr et al., 2009).
Muitos fatores têm contribuído para o aumento no IC, incluindo o aperfeiçoamento das técnicas anestésicas, a redução dos riscos e das complicaçõespós-operatórias, os fatores nutricionais e demográficos, a percepção de segurança do procedimento por parte das pacientes e dos profissionais de saúde, a pratica obstétrica defensiva, as mudanças no sistema de saúde e as demandas dos pacientes (Todman, 2007).
Não há consenso quanto à taxa ideal para cesarianas de um país. Baseando-se nas taxas de países com baixa mortalidade perinatal, a OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS) definiu como 15% o índice máximo adequado. Entretanto, esse valor tem sido constantemente questionado, pois outros estudos mostram significativa morbimortalidade materna e perinatal em algumas nações com IC abaixo desse limite. Por exemplo, em um estudo ecológico envolvendo 19 países da América Latina, identificou-se que, dos sete países com a maior mortalidade materna,...
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