Caso habib´s

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  • Publicado : 22 de novembro de 2012
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CASO HABIB´s

Desde criança, Alberto Saraiva, dono da rede de fast-food Habib´s, dividia com os pais, portugueses como ele, o sonho de ser médico. De fato, no começo da década de 70, passou no vestibular e se mudou, acompanhado deles, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, para São Paulo, onde cursaria a faculdade. Para sobreviver, a família abriu uma padaria na Rua Visconde de Parnaíba, noBrás, bairro da zona leste. Mas, logo no primeiro ano de curso, a violência da cidade grande mudou o destino do rapaz: em assalto ao estabelecimento comercial, seu pai foi morto.
Mal sabia aquele moço que, ironicamente, ali começava sua história de sucesso. ‘Por uma situação de necessidade, e não por experiência anterior, tive de tocar o negócio, que era a nossa única fonte de renda’, conta aqueleque virou dono da maior rede nacional de fast-food. A prosperidade não veio por acaso. Em Saraiva, o talento para os negócios é inato. Como a região dispunha de várias padarias, ele logo percebeu que a saída seria oferecer algo especial, na forma de promoções, a fim de atrair os clientes, e , ao mesmo tempo, buscar a redução dos custos. O valor do esforço daquele jovem é maior na medida em que,apesar de assumir a padaria – sua primeira investida no ramo alimentício, partindo depois para churrascaria, pizzaria e pastelaria, sempre de casa cheia, conseguiu terminar o curso de medicina.

Com o diploma na mão e depois de dois anos de clínica médica num pronto-socorro, Saraiva optou por tirar proveito do enorme tino comercial e, literalmente, colocar a mão na massa. Desde a época da padaria,o então estudante aprendeu e aperfeiçoou todas as receitas dos produtos vendidos em seus estabelecimentos. ‘Na padaria, aprendi que eu precisava saber fazer pão para ter bons padeiros’, conta.

Um dia finalmente Saraiva contratou o cozinheiro árabe que lhe ensinaria a culinária típica daquele país do Oriente Médio. Muito cedo, conversando, os dois perceberam que os restaurantes especializadosnesse tipo de comida eram poucos e caros. ‘Ali é que decidi tentar um fast-food de comida árabe e preços acessíveis’, resgata o empresário. No começo, ele aproveitou as experiências anteriores e incluiu no cardápio produtos como pizza, pastel e chope. Sem muita pretensão, inaugurou a primeira loja em 1988, na Rua Cerro Corá, em São Paulo. Resultado: 15 anos depois, a bonachona figura do gêniosorridente está em 204 lojas, incluindo as seis localizadas na cidade do México. O número de clientes alcançados chega a oito milhões.
Mas o Habib´s quer mais. A meta é chegar a Portugal, Espanha e França até o final deste ano. Há também, os russos, que já se sentaram a mesa com Saraiva dispostos a levar a marca para o mais importante pais da ex-União Soviética. ‘Em função da distância e uma série deoutros fatores, fica mais difícil’. Diz ele. Mas, a julgar pela garra do empresário, que ninguém se espante se isso acontecer. Difícil não quer dizer impossível.

Tempero brasileiro
O respeito às preferências do consumidor é que faz o sucesso do Habib´s, que, entre outras coisas, adaptou a culinária árabe ao paladar local. O pão sírio ganhou uma versão mais macia e dourada, charutos eabobrinhas recheadas receberam um molho de tomate especial, a esfiha ficou mais leve, a carne de carneiro foi substituída pela bovina e temperos como alho, hortelã e gergelim são usados com moderação. No jogo de sedução do público infanto-juvenil, a rede de fast-food criou um kit que inclui duas esfihas, batata fritas e suco de 3oo mililitros em uma lancheira da turma do gênio com jogos e brincadeiras.Saraiva considera que a expansão e solidez da cadeia se assentam no tripé qualidade, preço e lucro. ‘Temos qualidade, o tiquete médio é muito baixo e as lojas são lucrativas’, avalia. Qualidade inclui a forma de atendimento. Diferente do que se observa nas lojas do gênero, o Habib´s tem jeito de restaurante: o cliente senta-se e é atendido na mesa. Quanto ao preço popular, deve-se a um fator de...
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