Casas bahia

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  • Publicado : 8 de maio de 2013
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A família Klein está arrependida de ter vendido a Casas Bahia para o Grupo Pão de Açúcar (GPA). Michael e Raphael Klein, filho e neto de Samuel Klein, o fundador da Casas Bahia, querem ter o controle da Via Varejo, a empresa resultante da fusão entre a Casas Bahia e o Ponto Frio, do Grupo Pão de Açúcar. A tarefa será árdua.
Michael Klein, presidente do conselho de administração da Via Varejo, jáesteve pelo menos duas vezes com Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, discutindo a possível retomada da empresa. O Casino é uma rede de supermercados francesa que há sete anos adquiriu o controle do Grupo Pão de Açúcar e, por conseqüência, é dona dos 52% da Via Varejo. Michael ofereceu R$ 3,5 bilhões a Naouri. “Ele está disposto a pagar o valor em dinheiro”, diz uma fonte próxima ànegociação.
O empresário francês não disse nem sim, nem não. Michael continua insistindo. Há cerca de um mês ele estava pronto para embarcar para encontrar Naouri quando recebeu um telefonema cancelando a reunião. Para fazer a operação, Michael contratou dois bancos: o Bradesco, para ajudá-lo a estruturar o financiamento da compra, e o Citi, como banco de investimento.
A pedra no meio do caminho
Enquantonão consegue tomar o controle da Via Varejo, Michael decidiu virar uma pedra no sapato de Naouri para, quem sabe, vencê-lo pela insistência. Para isso, contratou os advogados Ivo Waisberg e Ricardo Tepedino para tentar rever o contrato de acionistas firmado com o GPA em julho de 2010. A família Klein ameaça abrir um processo arbitral porque diz ter encontrado “erros e inconsistências relevantescapazes de alterar a relação de troca entre as ações da Novas Casas Bahia pelas da Globex”, segundo carta enviada ao Grupo Pão de Açúcar.
Trocando em miúdos, o que os Klein dizem é que a Globex valia menos do que o GPA dizia que valia em 2010 e, por conta disso, eles deveriam ter mais do que 48% de participação na nova empresa. A fatia teria de ser, no mínimo, de 50%. Ou então, na visão deMichael, os Klein deveriam ter recebido um valor maior na venda da Casas Bahia. Em comunicado à imprensa, o GPA diz que "a associação que criou a Via Varejo é irretratável do ponto de vista legal, tanto quanto à sua existência quanto às suas características de controle e qualquer especulação em sentido contrário é nociva aos interesses tanto do GPA quanto da Via Varejo, ambas companhias abertas".
Aocriar esse litígio, os Klein conseguem atrapalhar a vida do Grupo Pão de Açúcar e melar uma possível venda da Via Varejo. Hoje, eles temem que Naouri venda os 52% que estão sob seu controle para Abílio Diniz, ex-CEO do GPA e atual presidente do Conselho de Administração da companhia. Diniz teria interesse em ficar com o controle da Via Varejo. Para isso, trocaria os 32% que sua família ainda possuiem ações do GPA pelos 52% da Via Varejo. Assim, com essa empresa nas mãos, poderia unir-se ao Carrefour e consolidar o negócio que tentou fechar em 2011. Não seria um bom negócio para Naouri ver um especialista como Diniz controlando um concorrente.
A relação de Diniz e Michael está desgastada desde dezembro de 2009, quando assinaram o contrato de compra da Casas Bahia. Meses depois, eles reviramos termos do acordo e pareciam ter selado a paz. Neste ano, porém, voltaram a se estranhar. O clima ficou tão pesado que quatro conselheiros da Via Varejo deixaram seus cargos em maio. Maria Silvia Bastos, Pedro Malan, conselheiros do GPA e Gustavo Franco e Alexandre Bertoldi, da família Klein, foram substituídos por Luis Antonio Semeghini de Souza e Alberto Ribeiro Guth, indicados pelo GPA, eRicardo Tepedino e Renato Carvalho, indicados pela família Klein. Tepedino é advogado da família e Carvalho é um dos sócios da Arion Capital, contratada pelos Klein para assessorá-los na compra da Via Varejo.
A briga esquentou ainda mais agora porque em novembro deste ano expira o mandato de Raphael Klein na presidência da Via Varejo. Tudo indica que o Grupo Pão de Açúcar não irá reconduzi-lo ao...
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