Cardiotocografia

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Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.31 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2009
ARTIGO ORIGINAL
 
Efeitos da anemia materna na cardiotocografia computadorizada e perfil biofísico fetal
Roseli Mieko Yamamoto NomuraI; Marina Caldana GordonII; Giancarlo FatobeneII; Ana Maria Kondo IgaiIII; Marcelo ZugaibIV
IProfessora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia daFaculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP - São Paulo (SP), Brasil
IIAcadêmico do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP - São Paulo (SP), Brasil
IIIMédica Assistente da Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP - São Paulo (SP), Brasil
IVProfessor Titular doDepartamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP - São Paulo (SP), Brasil
Correspondência
 
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RESUMO
OBJETIVOS: avaliar a influência dos níveis de hemoglobina (Hb) materna nos padrões da frequência cardíaca fetal (FCF) e no perfil biofísico fetal (PBF) em gestações a termo.
MÉTODOS:gestantes portadoras de anemia (Hb11,0 g/dL). Foram excluídos casos com anomalias ou restrição do crescimento fetal. A avaliação da FCF foi realizada pela cardiotocografia computadorizada (Sistema8002-Sonicaid) e análise do traçado com 30 minutos de exame. O PBF foi realizado em todas as pacientes. Foram utilizados os testes t de Student, teste do χ2 e teste exato de Fisher. O nível de significânciautilizado foi de 0,05.
RESULTADOS: A média da Hb materna no grupo com anemia (n=18) foi de 9,4 g/dL (DP=1,4 g/dL) e no Grupo Controle 12,4 g/dL (DP=1,3 g/dL). Quanto aos parâmetros da cardiotocografia, não foi constatada diferença significativa nas médias entre os grupos com anemia e controle, respectivamente: FCF basal (131,3 bpm versus 133,7 bpm, p=0,5), acelerações da FCF > 10 bpm (7,9versus. 8,2, p=0,866), acelerações da FCF > 15 bpm (5,2 versus 5,4, p=0,9), episódios de alta variação da FCF (17,1 versus 15,5 min, p=0,5), episódios de baixa variação da FCF (4,4 versus 3,6 min, p=0,6), e variação de curto prazo (10,5 versus 10,9 ms, p=0,5). Em ambos os grupos, todas as pacientes apresentaram PBF normal.
CONCLUSÕES: este estudo sugere que a anemia materna leve oumoderada, sem outras comorbidades maternas ou fetais, não se associa a anormalidades nos parâmetros do perfil biofísico fetal e da FCF analisada pela cardiotocografia computadorizada.
Palavras-chave: Anemia; Cardiotocografia; Frequência cardíaca fetal; Complicações hematológicas na gravidez; Ultrasonografia pré-natal
 
Introdução
A anemia materna é importanteintercorrência clínica da gestação, tanto por sua gravidade quanto pela alta prevalência, principalmente nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a anemia é caracterizada quando a concentração de hemoglobina (Hb) é inferior a 11,0 g/dL1. Estudos verificam maior mortalidade fetal e neonatal precoce na anemia materna com Hb inferior a 9,0 g/dL2,3. No Brasil, estima-se que 42% dasgestantes sejam anêmicas, e isso demonstra a relevância do tema4. Em países industrializados, estima-se que 18 a 22%5 das gestantes apresentem anemia ferropriva, enquanto que no sul da Ásia essa estimativa é de mais de 50%6.
Durante a gravidez, alterações fisiológicas resultam no aumento do volume plasmático em cerca de 50% e aumento da massa eritrocitária em 25%. Isso promove ahemodiluição e diminuição dos valores da concentração de Hb materna, chamada de anemia fisiológica. Por conta disso, os valores de Hb da gestante considerados normais são diferentes da não-gestante, que devem se situar entre 12,5 e 14,0 g/dL.
Nos casos de anemia materna, observa-se associação com baixo peso do recém-nascido3,7,8 e prematuridade9. Entretanto, não são constatadas alterações...
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