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PROVA DO CONCURSO AO CFO PM - 2005
LÍNGUA PORTUGUESA

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VIOLÊNCIA, TV E CRIANÇA: O COMEÇO DE UMA NOVA ERA. SERÁ?
Artur da Távola

Muita gente culpa os meios de comunicação por disseminar e incentivar, através de programas e notícias, a violência do mundo. A tevê então é a principal acusada deste malefício à sociedade. Acontece que os meios de comunicação são considerados, porestas mesmas pessoas, como causa de alguma coisa e não reflexo e causa ao mesmo tempo, num processo interativo, como pessoalmente creio ocorrer. Quer dizer: a tevê não é a causa das coisas, das transformações, dos fatos. Não. Ela é o veículo. É o meio pelo qual as coisas, as transformações e os fatos chegam aos indivíduos. Pois bem, é neste ponto que três temas passam a ser profundamente entrelaçadose discutidos, adquirindo a maior importância em qualquer sociedade criança - violência e televisão. As crianças, estas estão aí. No Brasil, sessenta por cento da população têm menos de vinte anos de idade, o que desde logo dá a devida magnitude do problema. A violência também está aí mesmo. Com uma diferença: ao longo da história do mundo ela sempre esteve presente. Só que lá longe. Agora, graçasao meios de comunicação são as pessoas, em suas casas, as que estão presentes a ela. As gerações anteriores, para saber das guerras, ou as viam “idealizadas”, glamourizadas e heroicizadas no cinema, ou liam a respeito nos livros de história. Hoje, ninguém idealiza nada. Vê. Vê, via satélite. Não houve falar dos horrores. Participa deles. Por outro lado, a violência aumenta em proporçõesassustadoras, tanto no resto do mundo como aqui bem perto, em cada esquina. Pergunto eu: será só o incentivo à violência o resultado único desse processo de informação em escala mundial? É preciso lembrar, por exemplo, que muito da campanha de opinião pública contra a guerra do Vietnã nos Estados Unidos deveu-se à cobertura instantânea da televisão. Nada é estático. O que divulga provoca tambémresistências. Hoje as pessoas deixaram de ter a violência como algo sempre distante, algo que “só acontece com os outros”. Todos estão ameaçados nesta bolota azul em que vivemos. Logo, repudiar a violência é tarefa comum. Não é verdade, igualmente, que os meios de comunicação só disseminem a violência. Quem acompanha a boa-fé, assiste ao alerta diário destes meios contra todas as formas de violência e asameaças de destruição tanto da Terra como da espécie, no caso de persistirem as ameaças nucleares e as afrontas ecológicas. Ninguém agüenta as tensões prolongadas. A humanidade está podendo se ver a cada dia. Está podendo julgar e avaliar a que leva os seus desvarios. Está se conhecendo em seus máximos e em seus mínimos, em suas grandezas e em suas patologias, como nunca antes da televisão forapossível. Está secretando os anticorpos à violência e as atitudes necessárias à sua sobrevivência. Está

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consciente de que a ameaça é conjuntural. De que ou o homem se entende e redescobre o Direito estabelecendo seu primado, ou se aniquila no macro do mundo ou no micro de cada comunidade. E as crianças? Elas estão assistindo a tudo isso. Elas, pordefinição, são mais saudáveis, mais instintivas, mais purificadas. Ninguém vai lhes contar histórias sobre as guerras: elas as acompanham. Sobre os atentados brutais: elas os vêem. E no segredo de sua psique, ainda plena dos instintos vitais, seguramente elaboram os mecanismos de defesa necessários à preservação da vida. É analisando estes assuntos que me recordo de uma tese estranha, mas digna dereflexão, de um amigo meu, médico, homem de idade, sabedoria e ciência. Diz ele que nunca como hoje a comunidade pôde conviver tão perto da loucura. Ela entra diariamente através dos noticiários, dos fatos e das imagens, enfim, da comunicação moderna. E acrescenta: só quando o ser humano aceitar conviver com seu lado louco ele começa a se aproximar da cura. Negar a loucura é tão louco como ela....
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