Aparelho intrabucal para o tratamento dos transtornos respiratórios do sono: qual a sua influência nos parâmetros cardiológicos do paciente?

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QUE HÁ DE NOVO NA

ODONTOLOGIA

Aparelho intrabucal para o tratamento dos transtornos respiratórios do sono: qual a sua influência nos parâmetros cardiológicos do paciente?
Aída A. A. Abreu e Silva Rodrigues*, R. Nonato D. Rodrigues**

A Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma doença sistêmica cujos sintomas principais são o ronco e a sonolência diurna. Um estreitamento dafaringe que ocorre durante o sono, decorrente principalmente do relaxamento da musculatura que a envolve e de alterações anatômicas locais, acarreta em um aumento de resistência à passagem do ar. Isso leva a uma vibração dos tecidos moles da região, caracteristicamente chamada ronco. À custa do esforço respiratório do paciente, o ar continua a fluir pela região estreitada até que a crescente pressãonegativa intra-torácica leve ao colabamento das partes moles do faringe e fechamento da via aérea superior5,7. A essa parada respiratória dá-se o nome de apnéia obstrutiva do sono (AOS). Contudo, nem sempre a oclusão da via aérea é total, permitindo reduzida passagem de ar pelas estruturas, o que ocasiona uma hipopnéia obstrutiva. Quando mais de cinco eventos respiratórios ocorrem em uma hora desono, o diagnóstico de SAOS fica estabelecido7. Como as apnéias e hipopnéias são secundárias ao relaxamento muscular que ocorre com o início do sono, a forma encontrada pelo organismo para dar fim ao esforço respiratório é despertar o indivíduo. Dessa forma, o tônus muscular retorna e o fluxo aéreo é restabelecido. No entanto, quando tais eventos se repetem muitas vezes durante o

sono, a qualidadedeste é prejudicada em razão da intensa fragmentação e, conseqüentemente, no dia seguinte o paciente se sente cansado e sonolento. A ativação autonômica exacerbada é marcante nos pacientes apnéicos, pois aos freqüentes despertares noturnos, que lançam na corrente sanguínea diversas catecolaminas, associam-se a hipoxemia e o próprio esforço muscular respiratório2. Assim, órgãos nobres, como ocoração e o cérebro, tornam-se os principais alvos dos efeitos deletérios dessa doença. Portanto, caso não haja adequado tratamento, eleva-se o risco de se desenvolverem doenças cardiovasculares como arritmias, infarto do miocárdio e cerebral e, principalmente, a hipertensão arterial sistêmica, cuja relação com os transtornos respiratórios do sono (TRS) já está muito bem estabelecida5,10. Tais doençasnão ocorrem da noite para o dia no paciente portador de SAOS, por isso o tratamento precoce dos TRS torna-se muito importante, pois sabe-se que, se não tratadas, tendem a se agravar com o tempo. Para o diagnóstico dessa síndrome faz-se indispensável a realização da polissonografia, que é o exame padrão-ouro para o diagnóstico e acompanhamento das doenças relacionadas ao sono7,9. No caso dos TRS, apolissonografia é ainda mais importante, pois a determinação do tratamento adequado depende, principalmente, da gravidade da SAOS7,9.

* Pneumologista do Hospital do Coração do Brasil, Brasília-DF. Professora Substituta da Universidade de Brasília (UnB)-DF. ** Neurologista, Doutor em Ciências Médicas pela UnB. Professor Adjunto da Universidade de Brasília-DF.

R Dental Press Ortodon OrtopFacial

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Maringá, v. 13, n. 3, p. 20-22, maio/jun. 2008

RODRIGUES, A. A. A. A. S.; RODRIGUES, R. N. D.

Uma vez que a alteração básica da via aérea superior na SAOS é mecânica, a solução para seu tratamento é igualmente mecânica. No início da década de oitenta foi estabelecido, com sucesso, o uso da pressão positiva em via aérea, fornecida ao paciente através de um aparelho que denominaramCPAP, da sigla inglesa continuous positive airway pressure (pressão positiva contínua em via aérea). Esse aparelho mantém a via aérea patente através de um fluxo contínuo de ar gerado por um compressor, permitindo ao paciente respirar normalmente durante o sono6. Apesar de sua eficácia, o CPAP não é universalmente aceito entre os pacientes e, por isso, diversas alternativas terapêuticas vêm...
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