Antropologia

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  • Publicado : 18 de abril de 2011
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1 INTRODUÇÃO

Muitos estudos ao abordarem o tema “família” chocam-se em dois modelos: um tradicional e outro moderno, marcado pela ruptura de alguns valores extintos com o passar do tempo. Dessa forma, o tradicional e o moderno convivem com a subjetividade, sem que o segundo tenha substituído o primeiro, como aparentemente pode-se supor. Na verdade trata-se de uma mudança contextual emque os indivíduos sentem-se obrigados a se adequar aos padrões estabelecidos pela época, e, consequentemente, absorvendo influências sociais.

2 DESENVOLVIMENTO

Um exemplo claro das influências da sociedade sobre os indivíduos é a representação do filme “Longe do Paraíso”, indicado quatro vezes ao Oscar. A trama é ambientada na década de 50 e traz todo o universo norte-americano.Inicialmente nos mostra uma típica família burguesa: Cothy Whitaker, um exemplar de esposa, mãe, amiga, submissa e prestativa, e Frank Whitaker, um sucedido empresário, e seus dois filhos formam o mais belo quadro familiar e social que aquela sociedade poderia almejar. O enredo do filme é marcado pela dispersão dos valores moldados pela cultura daquela sociedade. A família Whitaker revela uma aparenteperfeição, rigorosamente moldada para atender os olhos de uma sociedade.
As leitoras da ‘Gazeta Semanal’ são mulheres igual a você, com família e casa pra cuidar. Você é a esposa orgulhosa de um bem sucedido executivo de vendas, que organiza as festas e posa ao lado do marido nos comerciais. (LONGE DO PARAÍSO)

Ao longo da história esta moldura é desmascarada, em quesão reveladas as verdades ocultas daquela família que escondia aspectos considerados marginalizados por aquela sociedade, por exemplo, a questão do homossexualismo.
A família burguesa retratada no filme é resultado de um processo histórico que, naturalmente, tem seu início, meio e fim. Segundo Morgan[1], a família é o elemento ativo, nunca permanece estacionária, mas passa a uma formasuperior à medida que a sociedade evolui. “A coerência de um hábito cultural só pode ser analisada a partir do sistema a que pertence.” (LARAIA, Roque; 1993; P. 90)

Portanto, esta família nuclear é fruto de um longo processo histórico que se formou e promoveu a ruptura de vários aspectos, até então seguidos, durante a formação cultural.

É relevante que as teorias que tentaramdescrever uma sociedade perfeita, desde Platão[2], Thomas Morus[3] e Marx[4], eram radicalmente contra a instituição familiar como sendo um ambiente adequado e suficiente para a educação e a formação de homens e mulheres que visam o bem comum – fator que justifica a influência da sociedade sobre a família e não o contrário.

A história da evolução do matrimônio é simplesmente a contextualizaçãode dois moldes anteriormente citados: o modelo tradicional e o moderno que, ainda que apresentem peculiaridades, são peças do universo da família.

O casamento burguês se resumia em uma forma de negócio, onde o matrimônio era arranjado pelos pais, o que lhes renderiam um dote. A mulher era encarada como propriedade do pai, que a transferia para o marido. A figura feminina era ligada apreservação da sexualidade e no exercício da maternidade. O tabu da castidade teve sua origem na família burguesa e foi, primeiramente, aplicado a mulheres casadas. A figura masculina, por sua vez, era basicamente fundada na manutenção econômica da família e atitude protetora para com os membros.

Na organização familiar havia uma notória assimetria entre homem-mulher e adulto-criança, em queos primeiros eram portadores do poder e saber, o que lhes garantiam a autoridade e o respeito. Marx enxergava na família burguesa a degradação e a condição de submissão da mulher em relação ao seu marido.

Fatores como a submissão, a preservação e a indissolubilidade marcaram época e hoje servem de paradigma para estudos sociais e culturais, que revelam mudanças de comportamento entre os...
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