Antropologia e sociolgia entrevista com o professor otavio velho

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ISSN 0104-8015
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POLÍTICA & TRABALHO
Revista de Ciências Sociais, n. 34 Abril de 2011 - p.231-252

ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA
Entrevista com o professor Otávio Velho
Flávia Ferreira Pires
Silvia Garcia Nogueira

Otávio Guilherme Alves Velho formou-se Bacharel em Ciências
Políticas e Sociais pela PUC-RJ em 1964. Fez parte da primeira turma do
PPGAS (Programa de Pós-Graduação emAntropologia Social), Museu
Nacional, UFRJ, que teve início em 1968, e sua dissertação de mestrado foi a
primeira a ser defendida pelo Progra­ma.
No início dos anos 1970, com o endurecimento da repressão política
no Brasil, Otávio Velho parte para a Universidade de Manchester, onde faz
seu Doutorado em Filosofia, concluído em 1973. Realizou também um
pós-doutorado pela Stanford University (1981).É professor titular (1993) e
professor emérito (2005) de Antropologia Social da Universidade Federal do
Rio de Janeiro/ Museu Nacional/UFRJ. Já foi conselheiro e vice-presidente
da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). É membro do
Conselho Superior da CAPES e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio
de Janeiro (Faperj). Foi o primeiro antropólogo a presidir a AssociaçãoNacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) entre
1986 e 1988. É membro do grupo de consultores (Advisory Group) sobre
Relações e Diálogo Interreligiosos do Conselho Mundial de Igrejas (World
Council of Churches) e foi presidente do Instituto de Estudos da Religião ISER (1989-1990).
Foi editor científico da revista Ciência Hoje da SBPC e membro do
Conselho Diretor do ProjetoCiência Hoje (de 1997 a 2001) e é pesquisador
sênior do CNPQ. Além de artigos em periódicos e obras coletivas nos
Estados Unidos, Grã-Bretanha, Argentina, Peru, Holanda, Suécia, Suíça,
Portugal e Itália, Otávio Velho publicou vários livros, entre os quais Mais
Realistas do que o Rei: Ocidentalismo, Religião e Modernidades Alternativas (2007) e
Besta-fera: recriação do mundo - ensaioscríticos de antropologia (1995).
Destacamos também sua participação em um sem número de
coletâneas publicadas no Brasil e a autoria de apresentação e prefácio de
inúmeros livros.

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Durante o mês de dezembro de 2010, o professor Otávio Velho esteve
na UFPB participando como membro de uma banca de concurso para professor
adjunto em antropologia e nos brindou com umaconferência. No dia seguinte,
antes de sua volta para o Rio de Janeiro, em uma conversa acompanhada por
suco de acerola e pela brisa nordestina característica - numa espécie de preparação
transitória rumo à Ilha de Paquetá (RJ), onde mora -, falou com as professoras
Flávia F. Pires (UFPB) e Silvia Garcia Nogueira (UEPB), ambas suas ex-alunas no
PPGAS/ Museu Nacional, sobre as ciências sociaise a antropologia brasileiras na
atualidade, suas memórias e diálogo com as outras ciências. Outros momentos
da entrevista podem ser apreciados na Revista Anthropológicas (UFPE) 2011, v. 21,
pp. 329-341.
O menino americanizado, o jovem despolitizado
Flávia Pires: Primeiro, gostaríamos de agradecer à disposição de compartilhar com a
gente as suas experiências.
Silvia Nogueira: Pra iniciaressa nossa conversa, a gente queria que você falasse um
pouco, já pensando na sua trajetória, sobre o seu tempo de estudante de ciências sociais do ponto
de vista afetivo, do ponto de vista das lembranças. O que foi importante pra você nessa primeira
formação acadêmica?
Otávio Velho: A minha graduação foi na Escola de Sociologia e Política
da PUC do Rio de Janeiro, e foi uma certa virada naminha vida existencialmente,
porque eu era aluno do Colégio Militar do Rio. O Colégio Militar tem certas
características como, por exemplo, o fato de que só tinha homens. Hoje em dia já
tem meninas, mas naquela época, não. Então, a ida para PUC foi uma novidade
muito grande pra mim, e foi numa época muito interessante, porque eu entrei na
PUC em 1961, numa época de muita efervescência...
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