Anorexia infantil

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Isabel R. Madeira, Leda A. Aquino, Problemas de abordagem difícil: “não come” Jornal de Pediatria
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Anorexia Infantil

Introdução

Transtornos alimentares são comuns em pediatria e podem fazer parte de etapas do desenvolvimento normal da criança em direção a sua independência. A queixa “não come” é tema quase quecentral nas consultas pediátricas. A estratégia de abordagem, se por um lado é simples, por outro é difícil de ser adotada quando um transtorno maior já se instalou, pois implica em mudanças de comportamento e na dinâmica familiar.
Quando ouvimos a palavra anorexia a primeira imagem que pensamos é de uma mulher extremamente magra que chegou a esse ponto em uma busca exagerada pelo "corpoperfeito", certo? Mas saiba que existe outro tipo de anorexia que atinge crianças e tem motivos bem diferentes.

Comportamento alimentar evolutivo da criança

No primeiro ano de vida, a criança se relaciona com o mundo por via oral. A alimentação representa uma relação de afeto entre ela e a mãe. E, durante o aleitamento materno exclusivo, é o bebê quem determina o horário das mamadeiras e o intervaloentre elas. Essa prática está sendo compreendida melhor pelos pais.
A partir dos 6 meses, há a necessidade de se complementar o aleitamento materno com outros alimentos, que devem ser introduzidos de maneira lenta e gradual. Alguns autores referem que a criança é capaz de determinar a quantidade adequada de alimento a ser ingerido de acordo com a sua necessidade, bem como estabelecer o intervaloentre as refeições. A quantidade da porção será proporcional ao intervalo de tempo entre elas.
Em torno de 9 meses, quando surge uma nova demanda por autonomia, pode aparecer a recusa alimentar, concomitantemente aos acessos de fúria. Ao final do primeiro ano e ao longo do segundo ano de vida, a criança apresenta uma diminuição do apetite conhecido como anorexia fisiológica, até porque existe umadesaceleração no seu crescimento. Além disso, o interesse pelo alimento é facilmente substituído pela enormidade de descobertas que a criança faz ao seu entorno.
Aos 15 meses, a criança relaciona a alimentação com o ato de brincar. Ela quer tocar e apertar os alimentos como se fossem seus brinquedos.
Por volta dos 17 a 20 meses de idade, a criança começa a selecionar os alimentos e já quercomer sozinha. Ela também começa a desejar participar do mundo dos adultos.
É importante compreender e aceitar as necessidades de autonomia da criança em relação à alimentação para que ela possa progredir e evoluir normalmente no convívio familiar e social. Aos 3 anos, a criança passa a valorizar a aparência dos alimentos, a cor, a forma, a consistência. As preferências são intensas e as escolhas,caprichosas. Deve-se respeitá-la sem esquecer a importância da introdução de diferentes alimentos.
Aos 4 anos, a criança tem vontade de ajudar no preparo dos alimentos, arrumar a mesa, juntar-se ao grupo familiar. A maior dificuldade em relação à hora da alimentação é que ela fala demais e não consegue ficar quieta. Aos 5 anos, há uma melhora no apetite, que vai se acentuar por volta dos 8 anos deidade .

Anorexia na infância

Apetite significa desejo de comer, derivado não só de necessidade orgânica, mas de sensações agradáveis ligadas ao ato de comer. A fome é caracterizada por sensação
orgânica, física, por “urgência” de alimentos. A fome leva a comer alimentos de qualquer espécie. O apetite faz com que a pessoa continue a comer mesmo que não sinta fome, o que muitas vezes podelevar à obesidade. O apetite é na verdade rico de conteúdo comportamental e pode ser considerado como um mediador entre os impulsos e/ou sinais fisiológicos e os fatores ecológicos psicossociais.
A anorexia ou falta de apetite é a condição na qual a criança não ingere espontaneamente a quantidade de alimento necessária para o seu crescimento e desenvolvimento normais, ou seja, há um desequilíbrio...
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