Annales

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  • Publicado : 26 de março de 2012
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O Positivismo, Os Annales e a Nova História
Imagem Antigo Regime
No século XIX, a Europa presenciou amplo desenvolvimento tecnológico e industrial, que permitiu sua evolução econômica e a afirmação como o continente mais poderoso do mundo até a Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo em que crescia internamente, o continente se expandia para fora de seus domínios, conquistando terras, pessoas enovas riquezas na África e Ásia, numa reedição do colonialismo do Antigo Regime. No entanto, não bastava conquistar tais territórios e impor uma dominação à força em suas populações: era preciso justificar a razão daquele domínio e gerar um argumento incontestável. Para tal fim, os pensadores e intelectuais europeus utilizaram-se do conceito de ciência, tido como um saber superior e acessível apoucas pessoas. A explicação ficava clara: os europeus, donos da ciência e do desenvolvimento, se dirigiam àquelas novas terras para “salvar” suas populações do estado de barbárie e abandono em que estavam. Justificava-se o Imperialismo por meio de argumentos científicos, baseados na superioridade técnica e racial do europeu branco sobre o negro africano e o asiático: cientificamente falando, oeuropeu tinha o direito de dominar os novos colonos porque era de uma civilização mais avançada, dado o desenvolvimento que mostrava e o poder de seu conhecimento. Esta forma de se compreender o mundo, isto é, baseada no cientificismo que transforma as realidades sociais, frutos de uma certa ordem histórica que nunca é absoluta, em verdades absolutas e incontestáveis porque comprovadas pela ciência,tornou-se em pouco tempo a tônica de todo o pensamento do Velho Continente, espalhando-se para diversos campos do saber. Renasceu a importância da Física e da Química como disciplinas exatas, por exemplo. Mas o caso mais destacado desse processo de construção de conhecimento é a transformação que ocorre nas chamadas disciplinas humanistas, a História e a Sociologia. Elas também vão incorporar atendência cientificista, auxiliando a explicar o domínio europeu nas novas colônias e impondo novos métodos de se estudar as relações sociais e o andamento da História dos povos.

Duas correntes dominaram o pensamento europeu a essa respeito. Tratavam-se do Racionalismo surgido no final do século XVIII, com a Revolução Francesa, e o Conservadorismo, presente no pensamento do continente desde ofinal da Idade Média e durante a Idade Moderna. Esta corrente, dos dizeres do historiador Robert Nisbet, implica em “preservar o que está estabelecido, ser contrário à mudança ou inovação” (pag.62). As idéias conservadoras presentes em uma sociedade têm uma razão de ser e existir, possuem como “referencial um aspecto da sociedade plenamente interessado na manutenção ou conservação da ordem(...)”.Em uma idéia que irá defender em todo o texto, afirma que o Conservadorismo é objeto de toda a sociedade, e não de indivíduos isolados. Portanto, ao existir em função de um conjunto social, esta corrente também pode ser estudada pela Sociologia.
Nisbet não aprova a visão individualista presente na fase pós-Revolução Francesa, que pregava a auto-suficiência e a individualidade de cada ser humano eque serve de base para a cientifização do conhecimento e do estudo social, como dissemos acima. Esta negava, pois, a própria existência da sociedade como organização e como meio de influência de comportamentos humanos. O homem seria um ser de livre-arbítrio sobre seus atos, sem a necessidade de estabelecer relações com seus semelhantes. Ele se bastaria por si mesmo. Com isso, surgem correntes depensamento relacionadas a essa forma de pensar e que se opõem a seus princípios, como o próprio Positivismo. Nos deteremos na análise desta corrente.
Imagem Auguste Comte
O Positivismo pregava a cientifização do pensamento e do estudo humano, visando a obtenção de resultados claros, objetivos e completamente corretos. Os seguidores desse movimento acreditavam num ideal de neutralidade, isto é,...
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