Analise do filme "a classe operaria vai ao paraiso"

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  • Publicado : 26 de setembro de 2012
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Relatório do filme: “La classe operaria va in paradiso”


Introdução

O filme “La classe operaria va in paradiso”, do diretor Élio Petri feito em 1971, retrata um período em que o fordismo já começa sua fase de decandência, mostrando o retorno da insatisfação do operário italiano (retorno da luta de classes e da falta de disciplina) pormeio dos sindicatos, a atuação dos estudantes, e a situação desse trabalhador tanto dentro ambiente do trabalho como fora.

Análise
Já na primeira cena do filme em que o protagonista acorda como som de seu despertador ao mesmo tempo em que sonhava com o barulho da sirene da fabrica que trabalha a BAN, pode-se perceber a rotina em que o trabalhador do sistema fordista vive chegando ao ponto, porcausa da constante sequência automatizada de operações padronizadas (como diz Theodor Adorno em seu texto “A Indústria Cultural”) esse trabalhador continua se comportando como se ainda estivesse na fábrica. Lulu quando está dormindo passa a realizar com as mãos os mesmos movimentos que usa ao trabalhar na máquina da fabrica.
Na cena seguinte do filme, quando Lulu continua sua rotina matinal passapor uma seqüência de objetos supérfluos, como um balão em forma de pato, bichos de pelucia, bonecos. Isso mostra a posição dos trabalhadores como já de consumidores modernos. Em diversas outras cenas do filme se faz a referência do consumo impulsivo que se dá pelo consumidor moderno, como quando Lulu está sozinho em sua casa após perder seu emprego e começa a averiguar os seus bens com intensãode vendê-los, passa então a dizer o valor da compra desses objetos, o preço que pode arrecadar ao vende e as horas de trabalho que necessitou para compra-los. Por serem, na maioria das vezes, objetos sem utilidades, a não ser decorativa, a diferença do preço pelo que foi pago ao que se venderia é alto, mostrando assim os efeitos da necessidade criada pela publicidade que faz esse consumidor terdesejo de obter produtos que antigamente eram restritos a elite econômica e agora acessíveis aos trabalhadores ainda que não apresentem uma real utilidade (como é dito no texto de Gilles Lipovestky “A felicidade paradoxal”). Outras cenas que mostram esse consumismo são, por exemplo, quando Lidia mulher que vive com Lulu após uma dicussão com ele e o grupo da união (sindicalistas e estudantes), deixao apartamento e leva consigo seus casacos de pele e a televisão da casa. Além disso, ela constantemente durante o filme usa perucas, unhas postiças, como diz Lulu chamando-a de “carne em conserva” em que tudo era falso. Lidia tambem mantinha uma sala que permanecia intocada e reclamava com Lulu quando ele entrava lá para ver televisão, pois iria desarrumar o local, a sala deveria permanecer sempreintacta como uma vitrine.
Em seu trabalho, Lulu todos os dias chega à BAN junto aos outros operários e aos grupos que estavam protestando o ritmo do trabalho, os salários, a exploração dos trabalhadores, dizendo aos trabalhadores para se juntarem nessa luta em que haveria a “aliança revolucionária entre trabalhadores e estudantes”. Em seguida ele entra na fabrica após toda essa gritaria junto àsirene tocando, e lá dentro é recebido com uma gravação que busca incentivá-los ao bom desempenho no trabalho e diz aos trabalhadores como devem tratar a máquina “respeita-las, cuida-las”. Apesar de constantemente os operários serem orientados ao que fazer, eles aparentemente não dão ouvidos nem aos grupos revolucionários nem a gravação como mostra no filme um dos trabalhadores cuspindo na máquinaem forma de protesto. Aparece então a figura da administração científica no filme, homens de jalecos branco e azul (divididos de forma hierárquica) que contabilizam o tempo de produção a partir do operário-padrão que no filme era Lulu. Como diz no texto de Robert Castel “A Sociedade Salarial”: “Com a organização científica do trabalho o trabalhador é fixado não por uma coerção externa, mas pelo...
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