Analise do comportamento

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3. Resumo

Há diversas práticas culturais envolvidas no que se convencionou chamar de “Psicologia Comportamental” ou simplesmente de “Behaviorismo”. O presente trabalho desenvolve o argumento de Tourinho (1999), em favor de uma classificação onde a Análise do Comportamento seria a área mais ampla da prática behaviorista, contendo três subáreas interligadas: o Behaviorismo Radical (umafilosofia), a Análise Experimental do Comportamento (uma ciência básica) e a Análise Aplicada do Comportamento (uma ciência aplicada e uma tecnologia). Descreve-se o que definiria cada uma das subáreas e como elas estariam irremediavelmente relacionadas.
Palavras-chave: behaviorismo; análise do comportamento; psicologia comportamental.

3.1 A Fundação Oficial do Behaviorismo

APsicologia tradicionalmente tem sido descrita como uma ciência da mente, especialmente do que se convencionou chamar de “mente humana”. No final do século 19 e início do século 20, a Psicologia Acadêmica predominante era a Introspectiva, na qual os métodos e instrumentos da Fisiologia foram adaptados a alguns dos problemas tradicionais da Filosofia, especialmente em relação à origem doconhecimento humano e à gênese e composição das sensações e percepções sobre o mundo. Wundt e posteriormente Titchener eram seus principais expoentes. Em uma situação controlada de laboratório, os pesquisadores examinavam, através do relato verbal dos sujeitos humanos, qual a estrutura e o modo de interação dos processos conscientes, legítimos objetos de estudo de uma ciênciapsicológica na época.
Em 1913, J. B. Watson (Watson, 1913/1965) publica um artigo agora clássico “Psychology As The Behaviorist Views It” (“A Psicologia Como o Behaviorista a Vê”), conhecido hoje como uma espécie de “manifesto behaviorista”, no qual explicitamente anuncia o rompimento com a forma de fazer Psicologia até então estabelecida. Divergia em relação ao objeto a ser adotado (substituindo a“consciência” pelo “comportamento dos organismos”), ao método adequado para levar o empreendimento adiante (abandonava a “introspecção” e adotava a experimentação com processos interativos diretamente observáveis entre um organismo e seu ambiente, especialmente os envolvidos na aprendizagem), aos objetivos dessa ciência (que ganhava, então, fortes contornos pragmáticose partia em busca de um “conhecimento útil”, uma tecnologia psicológica, voltada para a previsão e o controle do comportamento), e,obviamente, dos pressupostos sobre o que seria ciência e qual a natureza dos eventos psicológicos (o dualismo, o imaterialismo, mesmo que implícito, da mente era substituído por uma concepção naturalista, ver Marx e Hillix, 1963/1993; Broadbent,1960/1972;
(Heidbreder, 1933/1975). Sob o rótulo de “Behaviorismo”, Watson empreendeu atividades muito diversas. Estabeleceu uma justificativa filosófica para sua nova Psicologia(como o próprio manifesto de 1913), adotou estratégias de pesquisa empírica, especialmente em monista materialista/fisicalista, objetivista e evolucionista dos eventos psicológicos legítimos, oscomportamentais). Watson chamou essa nova Psicologia de “Behaviorismo”. Sob o rótulo de “Behaviorismo”, Watson empreendeu atividades muito diversas. Estabeleceu uma justificativa filosófica para sua nova Psicologia (como o próprio manifesto de 1913), adotou estratégias de pesquisa empírica, especialmente em laboratório, para construir os princípios de uma ciência comportamental, como os trabalhos sobreaquisição de comportamentos de “medo” e de outras atividades emocionais em crianças (Watson, 1924/1958) e criou estratégias de intervenção,derivadas dos princípios científicos do comportamento, como suas seminais técnicas de propaganda (Marcos e Carvalho Neto, 2001).
A chamada escola behaviorista posterior a Watson, “neobehaviorista”, com autores como Hull, Tolman, Lashley, Spencer, Guthrie,...
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