Analise blade runner

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  • Publicado : 26 de novembro de 2012
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I N T R O D U Ç Ã O



Desde que W.D. Griffith realizou The Birth of a Nation em 1915, o cinema tem demonstrado ser uma manifestação artística cuja principal característica é a possibilidade de uma confluência e uma convivência de linguagens.
Essa condição de ponto de cruzamento entre diferentes linguagens faz do filme um dos objetos mais interessantes e ricos para o estudo dos processosde produção de sentido.
A "linguagem cinematográfica" é muitas ao mesmo tempo e é também uma e una em toda sua especificidade de forma artística principal do século XX. Quantas formas diferentes de manifestação e produção de sentido podemos detectar em 2001 - A Space Odissey de S. Kubrick, ou no Citzen Kane de O. Welles? É bem verdade que esses exemplos indicam criações cinematográficas querepresentam marcos para a história do cinema e que, portanto, são objetos privilegiados para qualquer estudo que pretendesse compreender as formas de manifestação de sentido, exemplos indiscutivelmente óbvios do que afirmamos.


É exatamente sua condição de semiótica sincrética e complexa que faz do filme um objeto de análise que requer estratégias especiais de leitura e análise. Nesse sentido,deve-se tentar buscar uma metalinguagem que consiga abarcar todas as articulações e meandros de significação que o texto fílmico apresenta.
Este trabalho tentará oferecer algumas sugestões no sentido da realização de uma metalinguagem de leitura e, talvez principalmente, de crítica do texto fílmico. Para tanto, nosso ponto de partida será o excelente estudo de BALOGH (1985), acerca do nívelsuperficial da narrativa no filme Blade Runner de R. Scott.
Por meio das questões levantadas por essa análise, procederemos à discussão de alguns aspectos que nos parecem indispensáveis para que o estabelecimento de procedimentos de leitura crítica da criação cinematográfica que possam efetivamente elucidar a produção de sentido em qualquer filme.
Valendo-se das estratégias de análise narrativapropostas pelo Group d'Entrevernes, a análise de Balogh determinou, em especial, os programas narrativos principais que compõe o filme. O estudo elucidou o que chamaríamos de "esqueleto" da significação em Blade Runner, as vigas mestras da produção de sentido na obra de R. Scott.
Interessa-nos aqui estudar a "carne" que envolve esse "esqueleto" radiografado pelo texto de Balogh. Assim,pretendemos proceder a uma análise que se situaria no plano da semântica discursiva do texto cinematográfico. O foco de nossa atenção será a figurativização, entendida como "procedimento pelo qual um objeto sintático recebe um investimento semântico que permite seu reconhecimento como figura de conteúdo" (6:35), em especial em termos de iconização, ou seja o procedimento que visa a "revestir exaustivamenteas figuras, de forma a produzir a ilusão referencial que as transformaria em imagens do mundo" (5: 187).
Entendemos que a grande maioria dos textos cinematográficos apresenta enorme variedade de percursos figurativos, onde a iconização ocorre, não só pela percepção da imagem (ou imagens) enquanto tal, mas também da articulação entre esta e outros componentes do filme, que Balogh (op.cit.: 55)chama de "materialidades participantes do filme". Assim, a trilha sonora, tomada em seu sentido mais abrangente (ou seja, não apenas do tema musical principal, se houver, mas também todo tipo de ruídos, sons de fundo, música acidental, etc.), não deve ser analisada de maneira isolada, mas sim em conjunção com a imagem, com a marcação temporal do texto fílmico e, principalmente, em relação àmontagem do filme.
Para realizar nosso intento, pretendemos utilizar o próprio Blade Runner como objeto de análise, fazendo, ao final, menção a outros filmes que propiciem material adequado para a exemplificação de nossas reflexões.







UMA LEITURA DE BLADE RUNNER



Vamos iniciar a análise tentando seguir a ordem de ocorrência dos segmentos autônomos do filme, aqui entendidos...
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