Agricultura familiar

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 11 (2575 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 11 de dezembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto





GESTÃO PARA A SUSTENTABILIDADE DAS COOPERATIVAS
AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA1

DA

2

ALVES, Adilson Francelino; 3REINEHR, Claudia Lais; 4XAVIER, Cinthia Hillmann;
BORILLE, Luiz Claudio; 6LUCAS, Ivone Belon & 7FAUSTINO, Kassiana

5

INTRODUÇÃO
O atual debate em torno dos impactos econômico-produtivos e sociais da
agricultura familiar tem movimentadopesquisadores em diversas universidades
nacionais e internacionais. Diversos estudos procuram evidenciar os aspectos
positivos dessa forma de organização da produção agrícola destacando sua
capacidade de resposta frente as política públicas, cujo caso de maior evidência é o
PRONAF, em suas diversas modalidades. A agenda 21 em seu capítulo 32 fala
explicitamente da necessidade de fortalecimento dopapel dos agricultores frente
aos desafios da sustentabilidade. No item 32.3 salienta que “uma abordagem
centrada no agricultor é a chave para alcançar a sustentabilidade tanto nos países
desenvolvidos como nos em desenvolvimento e muitas das áreas de programas da
Agenda 21 estão voltadas para esse objetivo” (Agenda 21, p.221). O texto enfatiza
que: “Uma parte significativa da população ruraldos países em desenvolvimento
depende primariamente da agricultura de pequena escala, orientada para a
subsistência e baseada no trabalho da família. Porém, ela tem um acesso limitado
aos recursos, à tecnologia e meios alternativos de produção e subsistência. Em
conseqüência, exploram em excesso os recursos naturais, inclusive as terras
marginais.” Agenda 21, p 221).
Contudo, quando seobserva mais atentamente os processos produtivos, os
mecanismos comercialização ou mesmo de industrialização da produção percebe-se
um atrelamento dos agricultores a grandes empresas vinculadas ao processo da






Revolução Verde que atuam fortemente a montante e a jusante da produção
agrícola.
As especificidades da agricultura familiar, sua fragmentação em diversas
tipologias e suairregular organização política e produtiva são um desafio a ser
enfrentados pelos próprios agricultores, pelas políticas públicas e também pela
Universidade que precisa se aproximar desta realidade para poder colaborar na
construção de práticas sustentáveis. De modo geral, se de um lado, a universidade
tem produzido excelentes reflexões sobre as diversas modalidades de agricultura
familiar,com enfoque na sua constituição e nas suas especificidades adotando um
tom bastante crítico para o fenômeno da Revolução Verde focando, na maioria das
vezes, suas análises sobre os aspectos negativos desta. De outro, ela tem se
mantido longe das experiências sustentáveis (ou potencialmente sustentáveis)
desenvolvidas pelos agricultores em muitas localidades.
Constata-se que o modelo dedesenvolvimento econômico construído a partir
dos anos 50 com a adoção de pacote tecnológico foi pautado em uma ATER
homogeneizadora que, por muitos anos, solapou a capacidade de organização dos
agricultores retirando-os das arenas de decisão e colocando-os como meros
receptores de tecnologias e políticas. Embora este processo tenha efetivamente,
aumentado a produtividade agrícola, trouxe como um dosdesdobramentos sociais
mais evidentes a redução da capacidade dos agricultores de organizarem e
administrarem sua produção provocando ainda mais a marginalização de suas
iniciativas.
Contudo, é necessário salientar que o fenômeno da Revolução Verde não foi
pacificamente absorvido pelos agricultores. Diversos processos de resistência e
construção de alternativas foram construídos ao longo dotempo. Alguns, mais ou
menos eficazes que os outros. Em todos, no entanto, o que se observa, é a menor
ou maior capacidade das lideranças e agricultores em analisar a realidade e
construir

respostas

adequadas

ao

modelo

de

desenvolvimento

vigente,






principalmente frente a necessidade de incorporar os aspectos positivos das novas
técnicas e acessos aos...
tracking img