Abismo digital

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  • Publicado : 19 de abril de 2013
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Provavelmente, este é um dos primeiros conceitos pelos quais se inicia a reflexão sobre o tema do impacto social das tecnologias de informação e comunicação (TIC). Percebe-se nele que estas tecnologias produzirão diferenças nas oportunidades de desenvolvimento das populações e que uma distância será estabelecida entre aquelas que têm acesso às tecnologias e as que não têm.
Desenvolvimento esolidariedade digital
Para uma revisão histórica do conceito, deve-se lembrar que, geralmente, a relação entre tecnologia e desenvolvimento tem sido muito freqüentemente percebida como uma relação linear. Até mesmo nos anos 60 e 70, favoreceu-se - pelo menos na América Latina - uma grande quantidade de programas nacionais com o apoio dos organismos internacionais e bilaterais orientados à“transferência tecnológica” dos países desenvolvidos com relação aos países pobres. Embora, nesta ocasião, tal se referisse principalmente à transferência tecnológica orientada à produção industrial, já se supunha que a disponibilidade de tecnologia produziria desenvolvimento.
Quando, por volta de 1978, ocorreu o auge do desenvolvimento da informática nos países ricos, discutia-se sobre o impacto destatecnologia no desenvolvimento. Em vista deste fato, a UNESCO funda um organismo intergovernamental de informática (IBI) com o objetivo de criar as condições para que os países pobres alcançassem seu crescimento em informática e, com isso, fosse reduzido o abismo com relação aos países ricos. É, então, com base na informática, e não necessariamente na expansão da Internet, que se começa a construir odiscurso sobre o abismo digital.
“A adoção da informática pelos países do Terceiro Mundo e a aplicação de uma política neste âmbito permitirão que tenham acesso ao mesmo nível de desenvolvimento que os países industrializados”.
A experiência dos países industrializados prova que a informática, nascida do progresso, pode, em troca, acelerar o desenvolvimento. Se os países em desenvolvimento conseguemdominá-la, pode também, graças a uma melhor administração dos recursos, contribuir para atenuar o abismo que os separa dos países poderosos. ”[1]
Posteriormente, este discurso é generalizado com a expansão da Internet. No ano 2000, em Okinawa, o G7 [2] define o desenvolvimento da sociedade da informação (global information society) como um dos seus principais objetivos e cria a Dot Force com opropósito de integrar esforços internacionais e encontrar maneiras eficientes para reduzir o abismo digital. Embora este documento não ofereça uma definição precisa do abismo digital, pode-se deduzir que se entende como a inclusão ou exclusão dos benefícios da sociedade da informação.
“Renovamos nosso compromisso com o princípio da inclusão: todos onde quer que estejam devem ter a possibilidade departicipar; ninguém deve ficar excluído dos benefícios da sociedade da informação.” [3]
Outro acontecimento importante na construção do conceito é a Cúpula da Sociedade da Informação, realizada em Genebra, em 2003 [4], cujo tema da convocatória é precisamente a redução do abismo digital. Compreende-se que ele será reduzido com o acesso às TIC e com a criação de oportunidades digitais. NestaCúpula propõe-se como estratégia a solidariedade digital dos países ricos com os países em desenvolvimento.
“Reconhecemos que a construção de uma Sociedade da Informação integradora requer novas modalidades de solidariedade, associação e cooperação entre os governos e demais partes interessadas, ou seja, o setor privado, a sociedade civil e as organizações internacionais. Reconhecendo que o ambiciosoobjetivo da presente declaração - preencher o abismo digital e garantir um desenvolvimento harmonioso, justo e eqüitativo para todos - exigirá um compromisso sólido de todas as partes interessadas, fazemos um chamado à solidariedade digital no plano nacional e no internacional.” [5]
Após a cúpula de 2003, cria-se a UN ICT Task Force (Força-Tarefa para Tecnologias da Informação da ONU) que,...
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