1984

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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação VI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Norte – Belém – PA

“1984 – Uma análise sobre o controle da informação no filme e livro”.1 Annete de Souza Morhy2 Universidade Federal do Pará Orientação: Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará, Doutora Lívia BarbosaResumo O livro “1984” foi escrito por George Orwell e deu origem ao filme homônimo. A sociedade retratada vive sob um regime totalitário e tem todos seus passos são minuciosamente monitorados por telas que estão em toda parte. Esta análise busca entender mais especificamente a questão do controle da informação repassada a essa sociedade e os métodos utilizados para manipular as verdadesdivulgadas.

Palavras-chave: 1984; controle; informação; manipulação; poder.

A Polícia da Informação

O filme “1984” retrata uma sociedade onde o Estado se impõe sobre todas as instâncias sociais, influencia a história do povo e seu passado, desenvolve um novo idioma, além de oprimir e torturar os indivíduos que lutam, de qualquer forma, contra o regime instaurado. O fluxo da informação no filme“1984” é representado através da teletela (espécie de televisão instalada por toda a cidade, inclusive dentro das casas), rádio e cartazes pregados pelas paredes – são elementos constantemente presentes e os personagens são obrigados a ver e ouvir as notícias repassadas. Porém, uma grande e importante observação: os noticiários são integralmente governamentais. Sendo assim, todo o sistema de produçãoe divulgação da informação é controlado. Neste sentido, é importante perceber as técnicas de criação de notícias, distorção de informações e omissão delas. Winston Smith, personagem principal do filme em questão, é funcionário do Ministério da Verdade – ironicamente, o setor responsável por alterar informações já publicadas em jornais antigos e “re-divulgálas” de acordo com ordens superiores.Importante observar que, em determinada cena, Winston afirma: “A mentira torna-se verdade e depois mentira outra vez”, deixando claro que as informações são manipuladas de acordo com o momento e interesse do Estado, mesmo que essa subversão signifique mentir e desmentir. “Existe a verdade e a não-verdade”, escreveu Winston em seu diário secreto. Por ele lidar com o trabalho direto no Ministério daVerdade, ele sabia muito bem como eram construídas as falácias. A informação correta já chegava acompanhada das alterações a serem feitas. Estabelece-se, então, uma relação do filme “V de Vingança”, produzido 58 anos depois de “1984”, em que ambos os filmes mostram as notícias sendo manipuladas pelo governo e falsas tanto no texto quanto na edição de imagens. Edição, esta, que se
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Trabalhoapresentado ao Grupo Temático (GT) do VI Congresso de Ciências da Comunicação da Região Norte - Intercom Norte 2007.
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Annete Morhy: Estudante do 7º semestre do curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, na UFPA. annete.morhy@gmail.com

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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação VI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da RegiãoNorte – Belém – PA

desdobra exatamente no oposto da informação verídica, favorecendo a idéia que o “editor” quer repassar. Não existe preocupação alguma com a veracidade, apenas em captar imagens que caibam como ilustrações para a notícia que o governo quer repassar. No livro, a cena de tortura de Winston é seguida deste fragmento:

Qualquer coisa podia ser verdade. Eram tolices as chamadas leisnaturais. Era bobagem a lei da gravidade. "Se eu quisesse", dissera O'Brien, "eu poderia flutuar no ar como uma bolha de sabão". Winston raciocinara. "Se ele pensa que flutua no ar, e se eu simultaneamente pensar que o vejo flutuando, então a coisa de fato acontece. De repente, como um destroço submerso que aflora à tona, um pensamento rompeu-lhe no cérebro: "Não acontece de fato. Nós é que...
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