O euro e a economia portuguesa

Páginas: 32 (7998 palavras) Publicado: 18 de janeiro de 2015
“O euro e o crescimento da economia portuguesa:
uma análise contrafactual”
Luís Aguiar-Conraria
Fernando Alexandre
Manuel Correia de Pinho
NIPE WP 37/ 2010

“O euro e o crescimento da economia portuguesa:
uma análise contrafactual”

Luís Aguiar-Conraria
Fernando Alexandre
Manuel Correia de Pinho

NIPE* WP 37/ 2010

URL:
http://www.eeg.uminho.pt/economia/nipe

*

NIPE –Núcleo de Investigação em Políticas Económicas – is supported by the Portuguese Foundation for
Science and Technology through the Programa Operacional Ciência, Teconologia e Inovação (POCI 2010) of the
Quadro Comunitário de Apoio III, which is financed by FEDER and Portuguese funds.

O euro e o crescimento da economia portuguesa:
uma análise contrafactual*

Luís Aguiar-Conraria†
FernandoAlexandre‡
Manuel Correia de Pinho§

*

Este artigo baseia-se na tese de mestrado de Manuel Correia de Pinho “E se Portugal não tivesse
aderido à União Económica e Monetária?”. Os autores agradecem os comentários de Pedro Bação e
Francisco Veiga.

Universidade do Minho e NIPE, email: lfaguiar@eeg.uminho.pt

Universidade do Minho e NIPE, email: falex@eeg.uminho.pt
§
Universidade do Minho Resumo
A adesão ao euro representou uma mudança de regime económico. Esta mudança
coincidiu com o início de uma década de fraco crescimento económico e divergência em
relação à União Europeia. Para além da intensificação da concorrência dos países
emergentes e do Centro e Leste da Europa e das fragilidades estruturais, o
comportamento decepcionante da economia portuguesa desde a adesão aoeuro tem sido
atribuído à adopção de políticas económicas inadequadas. O efeito do novo regime
económico no crescimento da economia portuguesa de per si tem permanecido ausente
da maioria dos estudos. O objectivo da análise contrafactual desenvolvida neste artigo é
quantificar o impacto do euro no crescimento do produto interno bruto português. Os
resultados sugerem que o crescimento daeconomia portuguesa foi adversamente
afectado pela adesão de Portugal à União Económica e Monetária. No entanto, o euro
parece ter funcionado como porto de abrigo durante a recessão provocada pela crise
financeira internacional.

2

1. Introdução
A evolução da economia portuguesa nas últimas décadas não pode ser dissociada dos
processos de integração na União Europeia (UE) e na UniãoEconómica e Monetária
(UEM)1. O sucesso dos primeiros anos de integração europeia contribuiu para o largo
consenso em torno da participação de Portugal na criação da UEM e para a inclusão
desse objectivo no programa do XII Governo Constitucional e no Programa de
Convergência Q2, aprovados em Novembro de 1991. A adesão ao euro foi assim
assumida como um desígnio nacional e como um elemento central dapolítica
económica portuguesa e da estratégia de desenvolvimento económico, que visava a
convergência para os níveis de rendimento dos países mais ricos da UE – ver, por
exemplo, Ministério das Finanças (1990) e Macedo (1992).
A adesão de Portugal ao euro, em Janeiro de 1999, correspondeu a uma mudança de
regime económico e foi provavelmente o mais importante acontecimento na economiaportuguesa das duas últimas décadas. De facto, a partir daquela altura a taxa de câmbio
foi fixada irrevogavelmente, perdendo-se assim um mecanismo de correcção de
potenciais desequilíbrios externos, bem como a possibilidade de utilizar a política
monetária para debelar os efeitos negativos de choques que afectassem a economia
portuguesa – Lopes (2008), por exemplo, numa análise das dificuldades daeconomia
portuguesa nos primeiros anos do século XXI, salienta a relevância da taxa de câmbio
como instrumento de política económica nas décadas de 1970 e 19802. No entanto, da
participação na criação da UEM, eram também esperados benefícios económicos
significativos: por um lado, uma maior estabilidade monetária e financeira contribuiria
para promover o crescimento económico da economia;...
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