A crise do sionismo

Páginas: 12 (2894 palavras) Publicado: 5 de junho de 2013
BEINART, Peter. The crisis of zionism. New York: Henry Holt and Company, LLC, 2012.
Fábio Bacila Sahd

Peter Beinart é professor associado de jornalismo e ciência política na City University of New York, ex-editor do jornal estadunidense The New Republic e autor de mais dois livros afora o aqui resenhado: The Icarus Syndrome e The Good Fight. Os três são perpassados por uma defesa aberta doliberalismo político e por uma denúncia do abuso de poder estatal, em detrimento de direitos individuais. Liberal e sionista declarado, em sua mais recente obra – eminentemente política - Beinart faz uma reflexão crítica sobre o atual governo de direita em Israel, a comunidade judaica estadunidense e sua relação com o Estado judeu e “denuncia” o racismo inerente ao sionismo revisionista, aocupação dos Territórios Palestinos e a política externa vacilante de Obama.
Ao longo dos nove capítulos, o autor exalta a necessidade de se fortalecer o sionismo liberal tal qual defendido por Theodor Herzl face às suas correntes conservadoras e exclusivistas que exaltam o caráter étnico de Israel como Estado judeu, lesando as garantias democráticas presentes em sua declaração deindependência e os direitos da população árabe. Tendo como eixo central essa dupla natureza do país – judaica/democrática - e as divergências das propostas sionistas, Beinart expõe as tensões envolvendo a comunidade judaica dos Estados Unidos e os agrupamentos políticos e entidades neste país e em Israel em torno do conflito na Palestina.
A conclusão de Beinart é a de que, atualmente, o sionismo liberaltal qual vislumbrado por Herzl estaria ameaçado, diante da ascensão da direita em Israel e do apoio incondicional prestado por entidades judaicas estadunidenses, cada vez mais controladas por setores indiferentes ou avessos aos preceitos democráticos daquele país. Por isso a escolha do título: “A crise do sionismo”. Aos olhos do autor, enquanto entre as entidades judaicas estadunidenses estaria emqueda o engajamento entorno de um sionismo de matiz liberal, que as teria caracterizado até os anos 1970, estariam ascendendo setores de direita e outros vinculados à ortodoxia religiosa que, em linhas gerais, enfatizam o caráter judaico de Israel e negam os direitos nacionais do povo palestino. Conforme Beinart, para esses grupos o cerne da identidade coletiva judaica seria o sofrimento dos judeusao longo da história diante de um difundido e persistente antissemitismo, que justificaria inclusive as transgressões cometidas por Israel contra a população árabe. Essa visão de que não haveria qualquer marco moral universal a partir do qual o sionismo poderia ser julgado, visto as atrocidades cometidas contra o povo judeu na história, é denominada por Beinart de “monista”, sendo seus principaisdefensores os revisionistas, tais como Vladimir Jabotinsky, Benzion Netanyahu e seu filho, Benjamin (duas vezes primeiro-ministro de Israel).
No primeiro capítulo o autor faz uma leitura idealizada do sionismo liberal, como apregoado por Herzl, destacando as possibilidades que ele contém de judeus e árabes conviverem pacificamente na Palestina/Israel, em contraponto a posicionamentosexclusivistas. Beinart se vale da novela de Herzl Altneuland para embasar sua visão de que o sionismo é um movimento nacional, mas também, desde o princípio, liberal. O autor chega a fazer uma breve crítica a essa vertente do sionismo que ele mesmo defende, alegando que ela não imaginava a possibilidade de um movimento nacional árabe demandando a Palestina como seu território. Ainda nesse capítulo, étrabalhada a discriminação institucional israelense dentro e fora das fronteiras anteriores a 1967 e são elencadas algumas fragilidades de seu modelo democrático, ainda que Beinart reitere se tratar de um Estado democrático em seu território “original”.
Os dois próximos capítulos trazem uma reflexão sobre a comunidade judaica estadunidense e suas entidades, apontando para a tendência de apoiar...
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