Texto por Carlos Lemos

406 palavras 2 páginas
Nesta excelente pesquisa documental elaborada pela professora arquiteta Guilah Naslavsky é recorrente a expressão “arquitetura regional”, dando-nos a impressão de que, em algum momento, tal singularidade possa ser de algum modo percebida na arquitetura moderna ou contemporânea do Recife. Chega mesmo a transcrever frase sintomática de historiador francês Yves Bruand, em 1969 (ano incluso no limite temporal deste livro) afirmando que naqueles dias ainda era “cedo demais para se falar de uma verdadeira Escola do Recife homogênea e original” (p. 8). Naquele ano, Bruand estava se referindo aos projetos do português Delfim Moreira, do italiano Mario Russo e do carioca Acácio Gil Borsoi, os principais (quem sabe, únicos?) arquitetos modernos da Capital pernambucana. Precavida, ela indaga: “O que são modernidades regionais? Seriam modernidades menores ou expressões menores da arquitetura hegemônica? São ramos secundários de uma expressão principal? Como acentua Abilio Guerra (2004): localização não é atributo de valor de obra de arte [...]; o problema que está atrás desta discussão é um problema ideológico. [...] Estabelecer identidades regionais para avaliar a produção arquitetônica é criar armadilhas para valorizar essa produção, estabelecer valores qualitativos fora do campo da história da arte” (1).
Em seguida a essa transcrição bastante oportuna, Guilah Naslavsky afirma: “Aqui, nós analisamos uma produção diversa da que sempre é analisada na historiografia brasileira, que narra a história a partir de dois pólos: Rio e São Paulo. E, mesmo que a disputa entre Rio de Janeiro e São Paulo tenha turvado a questão da origem da arquitetura moderna e das expressões de outros centros, o fato de esses locais serem os pioneiros no contexto nacional não quer dizer que não tenham existido outros centros difusores de ideário” (p. 10).
No fundo, este depoimento da autora não vê influência alguma, na introdução da modernidade recifense, do arquiteto Luís Nunes, chegado do Rio de

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