psicologia

Páginas: 35 (8637 palavras) Publicado: 8 de agosto de 2013
Psicologia comunitária

Psicologia comunitária
Cezar Wagner de Lima Góis 1

Na América Latina, a expressão “Psicologia Comunitária” é empregada
desde 1975, com o objetivo de se fazer uma nova Psicologia Social, a partir da
preocupação de alguns psicólogos de distintos países latino-americanos com
os escassos resultados sociais da Psicologia Social tradicional e por haver uma
grandenecessidade de superar os graves problemas sócio-econômicos que ainda
hoje afetam a região (Abib Andery, 1984; Montero, 1994; Quintal de Freitas,
1996).
Frente à Psicologia Social tradicional que se preocupava com estudos
de grupos, questões específicas da conduta, o ajustamento social, as atitudes,
o estereótipo, as relações interpessoais etc. (Leyens, 1979), sem vinculá-los a
seus contextoshistóricos-culturais, enquanto base de descrição e explicação
dos dados, como também sem questionar o papel da ideologia e das relações
de classe (Lane, 1981, 1984; Serrano García e Rivera Medina, 1991), surgiu
um movimento no próprio interior da Psicologia Social questionando essas
posturas e concepções.
O distanciamento dos modelos predominantes na Psicologia Social dos
problemas sociais esua incapacidade de dar respostas a estes problemas levaram
um grupo de Psicólogos Sociais a questioná-la em seus objetivos, concepções,
ações e resultados. Este movimento na Psicologia Social defendia a diversidade
cultural e enfocava o contexto e a ideologia como questões que deveriam ser
centrais na área. Preocupava-se também com uma relação mais ativa e
comprometida dos Psicólogos com osproblemas da sociedade.
Contrastando com os modelos tradicionais, novos valores sociais e
humanos, originados na década de 60 (Movimentos Sociais), assim como certos
estudos realizados em Psicologia que geraram novos conceitos, categorias e
explicações (Moscovici, 1961; Sarason, 1974; Turner, 1975; Rappaport, 1977;
Marín, 1980; Montero, 1982; Tajfel, 1982; Martín-Baró, 1983, 1994;
Lane, 1984;Bloom, 1977; e Irizarry Rodríguez, 1984), apontavam para
temas e preocupações que a Psicologia Social tradicional não considerava,
contribuindo desse modo para a construção de modelos de explicação e de

Psicologia

1 Dr. em Psicologia pela Universidade de Barcelona.
Prof. de Psicologia da Universidade Federal do Ceará.

Universitas Ciências da Saúde - vol.01 n.02 - pp.277-297

277 Cezar Góis

ação importantes para a mudança do panorama tradicional da Psicologia Social.
Dentre esses conceitos e categorias ressaltamos: mudança social, ideologia,
alienação, representação social, identidade social, sentido psicológico de
comunidade, “empoderamento”, grupo social, apoio social, realidade socialmente
construída, atividade, investigação-açao-participante, sujeitohistórico-social,
consciência crítica, conscientização etc.
Os estudos dos autores mencionados antes deram uma guinada no discurso
da Psicologia Social, principalmente na América Latina e Brasil, levando com
isso a uma nova rota de construção de uma Psicologia Social crítica,
contextualizada, preocupada com os problemas sociais e, mais que isso,
comprometida com mudanças sociais de fundo, como ainclusão social e a redução
das desigualdades sociais. Por essa nova rota surgiram também uma Psicologia
Política e uma Psicologia Comunitária que, até hoje, seguem um caminho próprio
com relação ao campo maior da Psicologia Social e às novas concepções de Saúde
Mental Comunitária, apesar de estarem dialética e indissoluvelmente ligadas entre
si sem perder suas especificidades e perspectivas.Concepções
Hoje em dia, frente ao crescente número de publicações na área, estamos
mais próximos de uma concepção geral de Psicologia Comunitária (Speer e outros,
1992), de sua especificidade. Inúmeros autores caminham para uma convergência
e aqui vale a pena destacá-los em razão de suas contribuições ao longo do tempo:
Newbrough, 1973; Sarason, 1974; Rappaport, 1977; Goodstein e Sandler,...
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