Primavera silenciosa

Páginas: 48 (11859 palavras) Publicado: 8 de abril de 2014
scientiæ zudia, São Paulo, v. 3, n. 3, p. 415-41, 2005

A função do olho humano na óptica do final do século xvi
Claudemir Roque Tossato

resumo
Neste artigo, trato em linhas gerais do papel do olho humano no desenvolvimento das teorias ópticas no período que vai da Grécia antiga até o final do século xvi. São destacados dois grandes momentos da história da óptica: a antiguidade e o séculoxiii. Procuro levantar alguns dos principais pontos relativos à importância do olho humano no ato da visão, relacionando esses pontos a três tradições de pesquisa que serviram como base para a elaboração de teorias ópticas, a primeira filosófica, a segunda anatômica e a terceira matemática. A intenção é mapear a situação da óptica no que concerne à função do olho humano antes dos trabalhosrevolucionários de Kepler nessa área no início do século xvii.
Palavras-chave ● Óptica. Visão. Câmara escura. Anatomia. Perspectiva. Euclides. Alhazen. Kepler.
Introdução
O objetivo central deste texto é apresentar os principais aspectos do papel do olho humano, seu funcionamento e sua importância, para a ciência da óptica no final do século xvi e início do século xvii.1 A apresentação se restringeao modo pelo qual se entendia
1 A história da óptica dos gregos antigos até o início do século xvii é muito complexa. Não iremos reproduzi-la, por exceder em muito os objetivos deste artigo. Salientamos apenas os aspectos centrais, sem detalhar os argumentos, acerca do problema de como se produz a visão e a relação entre anatomia, filosofia e matemática. Para o leitor interessado na história daóptica até o início do século xvii, sugerimos em especial três autores, Crombie, Lindberg e Ronchi. Lindberg (1976) é uma história da óptica desse período com boa apresentação e com um enfoque interpretativo das três tradições de pesquisa, filosófica, médica e matemática, surgidas na Grécia antiga; em Lindberg (1971), há uma apresentação de Al-Kind; em Lindberg (1967), é analisada a recepção e aimportância de Alhazen para o ocidente. Crombie (1967, 1990 e 1991) mostra o desenvolvimento da óptica no mundo grego, medieval e renascentista, comparando-o com o desenvolvimento no século xvii; em Crombie (1987) temos um panorama da óptica na Idade Média. Ronchi (1952 e 1959) são obras clássicas sobre o período. Outros autores merecem destaque: Cohen & Drabkin (1948) pelos textos de autores antigos,especialmente de Euclides e de Ptolomeu; Castiglioni (1941) e Singer (1996) fazem apresentações históricas da anatomia; Smith (1988) discute a percepção visual em Ptolomeu; Unguru (1972) discute a matemática de Vitélio; Hatfield & Epstein (1979) discutem Ptolomeu e Alhazen; e Pirenne (1952) é uma boa introdução ao estudo da teoria da perspectiva de Leonardo da Vinci.
a formação da imagem dosobjetos vistos pelo olho humano. Nossa intenção com este artigo é simples: delimitar a situação desse campo de estudos ópticos no período em questão para podermos discutir, num texto futuro, a importância de Kepler para a óptica moderna.
O papel e a função do olho humano apresentam, quando analisados da perspectiva da história da óptica, uma situação complexa. Um fenômeno óptico contém pelo menostrês constituintes: um objeto que é visto, um olho que vê esse objeto, e um meio que está entre eles. Sendo assim, pode-se considerar que um fenômeno óptico é tanto um fenômeno físico, pois há uma relação entre o objeto visto e o olho que o vê com interposição do meio e da luz; quanto fisiológico e anatômico, pois o objeto visto é, de alguma forma, percebido pelo olho de acordo com seus mecanismosinternos (anatomia e fisiologia); e possui também um componente psicológico, pois há uma representação do objeto visto por quem o observa. Além disso, podemos analisar um fenômeno óptico de acordo com a geometria, decompondo tal fenômeno em linhas, ângulos e curvas. Grosso modo, como se classifica o fenômeno óptico? Físico, fisiológico, geométrico ou psicológico? Ou todos ao mesmo tempo?2 Esse...
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