Perspectivismo e desenho: objetividade expressiva

Páginas: 21 (5144 palavras) Publicado: 10 de maio de 2014

Perspectivismo e desenho: objetividade expressiva

Vânia Dutra de Azeredo
Resumo: O presente artigo visa analisar o desenho de observação a partir das noções de interpretação e de perspectivismo nietzschiano, procurando mostrar a impossibilidade de uma posição neutra, com referência ao desenho, que pudesse captar imparcialmente suas nuanças. Propõe o conceito de objetividade expressivaenquanto limite necessário à produção e à leitura humanas, notadamente, no desenho de observação, desde o conjunto do aparato conceptual de Nietzsche.
Palavras-chave: desenho de observação, interpretação, perspectivismo, homem, valor

ABSTRACT:This paper aims at analyzing the design of observation through the notions of interpretation and perspectivism in Nietzsche, trying to show theimpossibility of a neutral position referring to the design that could capture its shades in an impartial way. We propose the concept of expressive objectivity as the necessary limit to human production and reading, mainly in the design of observation, making use of the Nietzschean conceptual apparatus.
Key-words: design of observation, interpretation, perspectivism, man, value

Nesse artigo, utilizaremoso aparato conceptual nietzschiano relativo, em especial, à interpretação e ao perspectivismo, para refletir acerca do desenho de observação. Partindo desse tipo de desenho proporemos o conceito de objetividade expressiva, mostrando que ele manifesta uma singularidade em termos de sua produção, ainda que envolva também sua leitura, que remete, ao mesmo tempo, à busca de certa objetividade, emtermos de percepção do objeto desenhado, e à impossibilidade de atingir uma convergência perceptiva, haja vista que a perspectiva do autor do desenho está necessariamente presente, configurando-o como interpretação singular, dotando a observação de valor e, nesse caso, unindo objetividade e expressão.
Partimos do leitmotif do exercício filosófico de Nietzsche, em nossa avaliação, qual seja, introduzira interpretação nos domínios do mundo a partir de uma interpretação, consistindo seu empenho em aniquilar as noções de fato e de fundamento. É a rejeição do fundamento, que nos permite reconhecer em seu pensamento a recusa, terminantemente, de conceder à construção filosófica uma resposta última e definitiva seja à questão do conhecimento seja às concernentes à moral, à política e à estética.Trata-se do empenho de Nietzsche em tentar mostrar que, por detrás daquilo que aparece enquanto interpretação, não há um fundamento oculto ao qual se possa remeter as perspectivas, mas que são as próprias perspectivas que manifestam aquilo que vem a ser como aquilo que é.
Observe-se, por um lado, que Nietzsche rejeita a unicidade do conceito e do fato originário e, por outro, que recusa a vigênciade uma unidade subjetiva como regente através de um sujeito fundante do ser, do conhecer e do agir. Eis o sentido da recusa do fundamento enquanto rejeição de significados prévios e afirmação de que existem tão-somente postulações.
Partimos, assim, da afirmação nietzschiana que confere valor ao mundo a partir de nossa interpretação e considera essas últimas como avaliações perspectivas medianteas quais crescemos em potência e nos mantemos vivos. Tanto a elevação do homem acarreta o ultrapassamento de interpretações prévias e, quiçá, mais estreitas, quanto a ampliação da potência traz novas perspectivas e lança em outros horizontes, fazendo do mundo, enquanto dotado por nós de valor, um fluxo, um processo, um eterno criar e perecer, em suma, “‘fluxo’, como algo que vem a ser, como umafalsidade que sempre novamente se desloca, que jamais se aproxima da verdade – pois não existe nenhuma verdade”1.
Talvez, para alguns, isso implique recusar critérios para avaliar, precipitando o homem no absurdo, no sem sentido, no nada. O pensador alemão, entretanto, diria que quaisquer critérios já decorreriam de um avaliar, mesmo o sentido ou a sua recusa constituem a imposição de uma...
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