Marshall

Páginas: 10 (2343 palavras) Publicado: 19 de outubro de 2013
1. INTRODUÇÃO: O REVIGORAMENTO DA IDEOLOGIA LIBERAL CLÁSSICA

A doutrina econômica clássica desenvolvida por Adam Smith e redesenhada por David Ricardo e Say, tinha a livre concorrência como um pressuposto fundamental da atividade econômica, além da existência de relações entre pequenas empresas. A partir da segunda metade do século XIX, uma imensa concentração de poder econômico nas mãos depoucas empresas alavancou um processo de concentração de renda, parecendo contradizer e tornar desatualizada a ideologia liberal clássica: nenhuma pequena empresa isoladamente poderia exercer influência significativa sobre os preços no mercado. Ao contrário do que imaginara Adam Smith, a Revolução Industrial não conduziu a sociedade ao paraíso. Decorrido mais de meio século do início da RevoluçãoIndustrial observava-se que o modo de vida e segurança da antiga economia rural fora destruída. Com a urbanização desordenada que ocorreu em torno dos centros industriais emergentes, a nova industrialização trouxe fábricas cada vez maiores, e os trabalhadores passaram a viver amontoados em sua vizinhança, onde a degeneração humana estava mais presente do que nunca.
Apesar do contraste, as teoriasclássicas recuperaram sua atualidade, ao confluírem com o utilitarismo de Bentham com uma hermenêutica baseada na álgebra e cálculo. Uma nova escola dos pensadores econômicos, conhecidos como economistas neoclássicos, revigoram as teorias econômicas liberais clássicas. Dentre estes autores, destaca-se Alfred Marshall (1842 – 1924), matemático, filósofo que se tornou economista, por questõessociais. Lecionou em Cambridge, e seu livro Princípios de Economia Política aos poucos substituiuo Princípios de Economia Política de J.S. Mill1. O economista presenciou a maior crise do século XIX e viveu durante o período de transição do até então vigente sistema imperialista expansionista inglês para a era do capitalismo concorrencial americano. É importante ressaltar que este período turbulento,onde vários aspectos da sociedade estavam se modificando, foi fundamental para a compreensão de suas análises em seu tempo e espaço.

2. CONTEXTO HISTÓRICO DOS CICLOS SISTÊMICOS: A TROCA DAS CADEIAS HEGEMÔNICAS

A Inglaterra após grande período expansionista imperialista viu sua posição hegemônica ser ocupada pelos norte-americanos. Estes, vindo de um progressos tecnológicos alavancado pelaindústria bélica nas décadas que antecederam a I Guerra Mundial2, consolidaram o ciclo sistêmico de acumulação americano, sucedendo o ciclo sistêmico de acumulação britânico. Este foi palco das duas primeiras Revoluções Industriais,de novos padrões tecnológicos mundiais, além da introdução do conceito abstrato de livre comércio e mercado auto-regulador, desencadeando um sistema mundial denominado deimperialismo de livre comércio ou capitalismo concorrencial, espalhando-se pelo mundo o ideal da supremacia britânica3; quanto aquele desenvolveu um novo padrão tecnológico baseado na microeletrônica e automação, em que a tecnologia deixa de ser rígida e torna-se flexível, baseado num intenso aparato tecnológico, em meio a um processo de independência da máquina em relação ao homem, isto é, afigura do autômato, em que a máquina passar a ser o sujeito e o homem o objeto, invertendo-se os papéis observados nas revoluções anteriores4.

2.1. O processo de concentração do poder econômico e assimetrias sociais.

Uma grande depressão econômica atingiu o sistema capitalista nos anos de 1873 a 1896, gerado principalmente pela competição exacerbada entre capitais e territórios. O período quese seguiu até o ano de 1914 foi caracterizado pela recuperação desta doença sistêmica, também chamada de “belle époque”, que se seguiu frente a uma redução da concorrência entre empresas e a consequente alta lucratividade. Assim, nos anexos marginais como a massa trabalhadora, a renda e a e competitividade comercial ficava nítido que a “época bela” só assim era para poucos5.
Esta era marcou o...
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