Limites do Falseacionismo

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Limites do falseacionismo
Embora represente um avanço em relação à concepção comum de ciência, o falseacionismo, tal qual o descrevemos acima, de modo simplificado, padece de várias limitações. Não faríamos justiça plena a Popper atribuindo-lhe essa forma tosca de falseacionismo, não obstante haja alguma evidência textual para essa atribuição, como gostam de notar seus opositores. Foge ao escopo deste trabalho efetuar uma análise dos muitos matizes do pensamento popperiano, bem como avaliar as críticas que lhe foram feitas. Diremos apenas que mesmo as versões mais sofisticadas do falseacionismo não estão isentas de dificuldades, o que deu lugar ao surgimento de diversas teorias da ciência alternativas. Essas teorias vão desde a metodologia dos programas científicos de pesquisa, de Lakatos, que representa um desdobramento das linhas popperianas, até o auto-denominado “dadaísmo metodológico”, de Paul Feyerabend, que nega a existência de qualquer método na ciência. Daremos abaixo uma descrição breve das idéias centrais de Lakatos. Antes, porém, exporemos de forma sucinta algumas das objeções que se têm levantado contra o falseacionismo, e que motivaram o desenvolvimento das concepções lakatosianas. A dificuldade mais fundamental enfrentada pelo falseacionismo é o chamado “problema de Duhem-Quine”. Vimos acima que uma proposição geral como ‘Todo papel é combustível’ pode ser falseada por uma proposição particular como ‘A folha de papel x não é combustível’, cuja verdade usualmente se admite apoiar na experiência. No entanto, as teorias reais ou de algum interesse nunca são proposições gerais isoladas, mas conjuntos de tais proposições, e não podem, além disso, ser submetidas a testes empíricos senão quando suplementadas por teorias e hipóteses auxiliares (como as referentes ao funcionamento dos aparelhos eventualmente empregados na observação), proposições acerca das condições iniciais e de contorno, etc. Se então esse complexo de proposições permite inferir uma

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