KEYNES E AS CONSEQ NCIAS ECON MICAS DA PAZ

Páginas: 31 (7616 palavras) Publicado: 8 de abril de 2015
DEPARTAMENTO DE ECONOMIA
PUC-RIO

TEXTO PARA DISCUSSÃO
No. 454

KEYNES E AS CONSEQÜÊNCIAS ECONÔMICAS DA PAZ

MARCELO DE PAIVA ABREU

ABRIL 2002

1

Keynes e as conseqüências econômicas da paz♦♦
Marcelo de Paiva Abreu1

As Conseqüências Econômicas da Paz teve enorme influência nos anos vinte do
século passado. É considerado por muitos a melhor obra de Keynes.2

O melhor livro

de um autor queBertrand Russell julgava ter o intelecto mais afiado e mais claro que
jamais havia encontrado certamente merece atenção especial. 3 Esta introdução está
dividida em quatro seções. Na primeira, são tratadas de forma muito breve a vida e a
obra de Keynes. Na segunda, a atenção está centrada exclusivamente em As
Conseqüências Econômicas da Paz. A terceira parte trata dos desdobramentos
relacionados àsreparações e demais cláusulas do Tratado de Versalhes ocorridos após
a publicação da obra de Keynes. Segue-se uma curta conclusão.
I. Keynes: vida e obra 4
John Maynard Keynes nasceu em 1883, filho da alta classe média profissional
vitoriana. Estudou em Eton e Cambridge, onde foi aluno de King’s College. Em 1905,
graduou-se com distinção em matemática, mas, em seguida, sob a orientação de
AlfredMarshall,

interessou-se crescentemente por economia. Passou dois anos no

India Office em 1906-1908 e de seu interesse na economia indiana resultou o seu
primeiro livro curto sobre assuntos econômicos, Indian Currency and Finance 5,



Prefácio para a edição brasileira de John Maynard Keynes, As Consequências Econômicas da Paz, a
ser publicado na coleção Clássicos IPRI pela Fundação Alexandre deGusmão/IPRI, Imprensa Oficial
de São Paulo e pela Universidade de Brasília.
1
Professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio. Ph. D. em Economia pela Universidade
de Cambridge. O autor agradece os comentários de Alice R. de Paiva Abreu e Rogério L.F. Werneck.
2
Skidelsky (1983), p. 384 e Russell (1967), p. 71.
3
Russell (1967), p. 72.
4
As biografias clássicas de Keynes são as de Harrod(1951), Moggridge (1992) e Skidelsky (1983),
(1992) e (2000). A primeira tem as virtudes e os defeitos de ter sido escrita por um amigo de Keynes: é
bastante acrítica e mais pobre do ponto de vista documental do que as mais modernas. A de Moggridge
é a mais focada do ponto de vista estritamente econômico e beneficia-se da intimidade do autor, um dos
editores das Collected Works (CW) , com adocumentação primária. A de Skidelsky é de longe a mais
completa. Especialmente no volume final, há certa insistência em descobrir um alinhamento de Keynes
com o liberalismo que não é convincentemente sustentado pela evidência apresentada. Milo Keynes
(1975) e Wood (1983) incluem materiais adicionais de grande interesse para a biografia de Keynes.
5
CW, vol. I.

2

publicado em 1913, que seria seguidopor As Conseqüências Econômicas da Paz6
(1919).

Em 1908, voltou para Cambridge, como lecturer em economia,

fellow de

King’s College (até a sua morte, em 1946) e logo se tornou editor do Economic
Journal (1911-1945). Ocupou boa parte de seu tempo livre no período anterior à
Primeira Guerra Mundial na redação de A Treatise on Probability que só seria
publicado em 1921.

Datam do pré-guerrainteresses que o acompanhariam a vida

inteira: especulação financeira, livros antigos -- especialmente de história da ciência -, as artes, inicialmente como consumidor, depois como patrono. Em 1915, foi para o
Tesouro. Sua carreira como funcionário público culminaria na Conferência de Paz de
Paris, em 1919, da qual participaria como principal representante do Tesouro na
delegação britânica. Inconformadocom o tratamento dispensado pelos vencedores à
Alemanha, afastou-se da delegação antes que o Tratado de Versalhes fosse assinado.
As Conseqüências Econômicas da Paz foi escrito como reação indignada à postura
dos aliados imediatamente após voltar de Paris. Como já foi mencionado, a obra e a
sua essência analítica bem como os desdobramentos futuros das questões relacionadas
ao cumprimento das...
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