Juventude, tempo e movimentos sociais

Páginas: 27 (6707 palavras) Publicado: 22 de outubro de 2013
Juventude, tempo e movimentos sociais
Alberto Melucci
Universidade degli Studi di Milano

Tradução de Angelina Teixeira Peralva
Publicado em: Revista Young. Estocolmo: v. 4, nº 2, 1996, p. 3-14.

As atuais tendências emergentes no âmbito da
cultura e da ação juvenil têm que ser entendidas a
partir de uma perspectiva macro-sociológica e, simultaneamente, através da consideração deexperiências individuais na vida diária. Neste ensaio,
tentarei integrar esses dois níveis de análise e proporei que:
1) conflitos e movimentos sociais em sociedades complexas mudam do plano material para o
plano simbólico;
2) a experiência do tempo é um problema central, um dilema central;
3) pessoas jovens, e particularmente adolescentes, são atores-chaves do ponto de vista da questão
do tempo emsociedades complexas.
Da ação efetiva ao desafio simbólico
Vivemos em uma sociedade que concebe a si
mesma como construída pela ação humana. Em sistemas contemporâneos, a produção material é transformada em produção de signos e de relações sociais.
Uma codificação socialmente produzida intervém

Revista Brasileira de Educação

na definição do eu, afetando as estruturas biológica emotivacional da ação humana. Ao mesmo tempo, existe uma crescente possibilidade, para os atores sociais, de controlarem as condições de formação e as orientações de suas ações. A experiência é
cada vez mais construída por meio de investimentos cognitivos, culturais e materiais. Tais processos,
de caráter sistêmico, são diretamente vinculados às
transformações, pela produção de recursos que tornampossível a sistemas de informação de alta densidade manterem-se e modificarem-se.
A tarefa não é somente da ordem da dominação da natureza e da transformação de matériaprima em mercadoria, mas sim do desenvolvimento da capacidade reflexiva do eu de produzir informação, comunicação, sociabilidade, com um aumento progressivo na intervenção do sistema na sua
própria ação e na maneira de percebê-la erepresentá-la. Podemos mesmo falar de produção da
reprodução.
Tome-se o exemplo dos processos de socialização: o que foi considerado no passado como transmissão básica de regras e valores da sociedade é

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Alberto Melucci

agora visto como possibilidade de redefinição e invenção das capacidades “formais” de aprendizado,
habilidades cognitivas, criatividade. Do ponto de
vista doplanejamento demográfico e da biogenética
o que era considerado reprodução de aspectos naturais de um sistema tornou-se um campo de intervenção social. A ciência desenvolve a capacidade
auto reflexiva de modificação da “natureza interna”, das raízes biológicas, cognitivas e motivacionais da ação humana.
Isto revela os dois lados da mudança na nossa sociedade. Por um lado, existe um aumento da
capacidadesocial de ação e de intervenção na ação
enquanto tal, nas suas pré-condições e raízes; e por
outro, a produção de significados está marcada pela
necessidade de controle e regulação sistêmica.
Os indivíduos percebem uma extensão do potencial de ação orientada e significativa de que dispõem, mas também se dão conta de que tal possibilidade lhes escapa, graças a uma regulação capilar de suascapacidades de ação, que afeta suas raízes motivacionais e suas formas de comunicação.
Os sistemas complexos nos quais vivemos constituem redes de informação de alta densidade e têm
que contar com um certo grau de autonomia de seus
elementos. Sem o desenvolvimento das capacidades
formais de aprender e agir (aprendendo a aprender),
indivíduos e grupos não poderiam funcionar como
terminais deredes de informação, as quais têm que
ser confiáveis e capazes de auto-regulação. Ao mesmo tempo, seja como for, uma diferenciação pronunciada demanda maior integração e intensificação do controle, que se desloca do conteúdo para
o código, do comportamento para a pré-condição
da ação.
O que eu quero dizer é que sociedade não é a
tradução monolítica de um poder dominante e de
regras culturais...
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