Gilberto Freyre

Páginas: 6 (1271 palavras) Publicado: 20 de novembro de 2013
2º CAPÍTULO
O NORDESTE: UMA REGIÃO DE AMBIVALÊNCIA


1. Rompendo com o discurso da miséria: Outro olhar sobre o Nordeste

Considerando Nordeste (1937) uma obra que surge da tentativa impressionista realizado por Freyre em escrever de uma forma simples e compreensível sobre a construção e desenvolvimento de uma sociedade açucareira e patriarcal, nela o autor salienta, nos seis capítulos quecompõem a obra, a íntima relação mantida entre o homem, que representa a sociedade, e o meio ambiente que este vive. Dessa forma, Freyre lança um desejo e o fisga, ou seja, na pretensão de retratar a relação estabelecida entre sociedade e meio natural, este não só consegue o retrato como o faz de forma magistral. Assim, em uma composição mais clara e simples o autor apresenta aos estudiosos e/ouleitores sobre a temática Nordeste uma abordagem que circula por diversas análises, tais como: geográfica, ecológica e histórica sobre a região Nordeste em uma determinada temporalidade em enfatizando determinados sujeitos.
Em Nordeste (1937) Freyre não se preocupa em abordar um lugar cheio de males sociais, ou seja, não se pretendeu, em tal obra, a realização de mais uma descrição sobre os malessociais sofridos pela região. Em detrimento da pobreza, da seca e a da morte que estavam presentes no cotidiano do Nordeste brasileiro, Freyre destaca outro lado deste lugar, um lado onde à riqueza natural, a umidade da terra e a vida naturalmente simples e abundante tomam de conta do cenário nordestino, pelo menos em sua escrita, e domina esta região a transformando em um lugar quase queparadisíaco. Porém, na tentativa de criar um Nordeste apaixonante Freyre não nega a existência de tais males, apenas na obra aqui analisada não se pretende a abordagem destes, antes procura ver o “lado positivo” desta região.
Freyre compreende que a região Nordeste é quase sempre identificada como um lugar que carrega em sua história relatos de uma sociedade mergulhada na seca e na imagem de umapopulação raquítica. No entanto, apesar de não negar tais descrições, Freyre deseja e consegue inovar em sua abordagem, com sua escrita quase que poética este sonda e chega a transpor a barreira do discurso já cristalizado na literatura e na historia do Nordeste brasileiro, Freyre consegue ir além do discurso da pobreza e da seca, ultrapassa esta visão e alcança o mais íntimo desta região; ver nela outrapossibilidade; destaca um Nordeste de terras gordas, úmidas e de sombras profundas.
Sobre este Nordeste descrito por Freyre ele afirma:
Mas esse Nordeste de figuras de homens e de bichos se alongando quase em figuras de El Greco é apenas um lado do Nordeste. O outro Nordeste. Mais velho que ele é o Nordeste de árvores gordas, de sombras profundas de bois pachorrentos, de gente vagarosa e às vezesarredondada quase em sanchos-panças pelo mel do engenho, pelo peixe cozido com pirão, pelo trabalho parado e sempre o mesmo, pela opilação, pela aguardente, pela garapa de cana, pelo feijão de coco, pelos vermes, pela erisipela, pelo ócio, pelas doenças que fazem a pessoa inchar, pelo próprio mal de comer terra. (FREYRE, 1937, p. 45)

Assim dito, percebe-se que Freyre não elimina a ócio emdetrimento do belo, antes retrata ambos de forma a serem considerados elementos que se complementam na construção da região, balanceando o ambiente a ser formado. Ao mesmo tento que salienta árvores gordas, que representam a riqueza natural do lugar, o autor identifica alguns pontos negativos, tais como a referência a doenças, “doenças que fazem a pessoa inchar”, e a presença da fome insaciável queleva o homem a comer terra. Dessa forma, constata-se que o “ruim” se alterna com o “bom” na formação da região pluralmente construída, o Nordeste brasileiro.
A interpretação de Freyre sobre o Nordeste brasileiro não se dá de forma limitada a uma descrição crua de seus conhecimentos sobre os elementos naturais desta região, antes, em sua imensa sensibilidade, se apropria de elementos...
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