Focault

Páginas: 35 (8552 palavras) Publicado: 25 de junho de 2013
¥

¤

§

¢



©

¦

¦

¥

¤

£

¢

¡

¨





¦

©

¢

¨

¢

¥

¤

§

¦

¥

¤

£

¢

¡

 

crise da medicina ou crise da
antimedicina1
michel foucault

Como ponto de partida desta conferência, gostaria de
me referir a um tema que começa a ser discutido no mundo inteiro: a crise da medicina, ou mesmo a crise da antimedicina.Mencionarei, a respeito, o livro de Ivan Illich
Medical Nemesis — The expropriation of health,2 que, tendo
em vista a ressonância que obteve e não deixará de crescer
nos próximos meses, chama a atenção da opinião pública
mundial para o problema do funcionamento atual das instituições do saber e do poder médicos.
Para analisar este fenômeno, porém, partirei de uma
data bem anterior, os anos1940-1945; mais exatamente, o ano de 1942, quando foi elaborado o famoso Plano
Beveridge que, na Inglaterra e em muitos outros países,
serviu de modelo à organização da saúde depois da Segunda Guerra Mundial.
A data desse Plano tem um valor simbólico. Em 1942,
em plena Guerra Mundial, na qual perderam a vida 40 milhões de pessoas, consolida-se não o direito à vida, mas um
&



&

%

$

#



"

!





















167

F

E

D

4

5

D

A

1

5

1

5

4

C

5

1

C

B

1

A

@

1

9

9

8

7

6

4

5

1

5

4

3

2

1

(

0

)

(

'

18
2010

direito diferente, mais rico e complexo: o direito à saúde.
Num momento em que a guerra causava grandesestragos,
uma sociedade assume a tarefa explícita de garantir a seus
membros não só a vida, mas a vida em boa saúde.
Além desse valor simbólico, a data reveste-se de importância por várias razões:
1. O Plano Beveridge indica que o Estado se encarrega da saúde. Poder-se-ia dizer que não se trata de uma
inovação, pois, desde o século XVIII, uma das funções do
Estado — se não a fundamental, pelomenos uma importante função — era a de garantir a saúde física dos
cidadãos. Creio, entretanto, que até meados do século XX,
garantir a saúde significava essencialmente, para o Estado,
assegurar a força física nacional, sua capacidade de trabalho e de produção, bem como de defesa e ataque militares.
Até então, a função da medicina de Estado esteve principalmente orientada para finalidadesnacionalistas, quando não raciais. Com o Plano Beveridge, a saúde torna-se
objeto de preocupação dos Estados não basicamente para
eles mesmos, mas para os indivíduos, quer dizer, o direito
do homem de manter seu corpo em boa saúde se converte
em objeto da própria ação do Estado. Por conseguinte, os
termos se invertem: o conceito de indivíduo em boa saúde
para o Estado é substituído pelo de Estadopara o indivíduo em boa saúde.
2. Não se trata apenas de uma inversão, no Plano, do
direito, e sim do que se poderia chamar de uma moral
do corpo. No século XIX, em todos os países do mundo aparece uma copiosa literatura sobre a saúde, sobre a
obrigação que têm os indivíduos de garantir sua saúde, a
saúde de sua família, etc. O conceito de limpeza, de higiene como limpeza, ocupa um lugar centralem todas essas
168

F

E

D

4

5

D

A

1

5

1

5

4

C

5

1

C

B

1

2

@

1

9

9

8

7

6

4

5

1

5

4

3

2

1

(

0

)

(

'

verve
¦

©

¢

¨

¢

¥

¤

§

¢



©

¦

¦

¥

¤

£

¢

¡

¨





¦

©

¢

¨

¢

¥

¤

§

¦

¥

¤

£

¢

¡ 

exortações morais sobre a saúde. São abundantes as publicações que insistem na limpeza como requisito para gozar
de boa saúde, ou seja, para poder trabalhar a fim de que os
filhos sobrevivam e, por sua vez, assegurem o trabalho social e a produção. A limpeza é a obrigação de garantir uma
boa saúde ao indivíduo e àqueles que o rodeiam. A partir
da segunda metade do século XX, surge outro...
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • focault
  • focault
  • Focault
  • Focault
  • Focault
  • Focault
  • Resumo Focault
  • Direito focault

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!