CASO clinico

Páginas: 15 (3524 palavras) Publicado: 13 de maio de 2015
CASO 4 - KATHARINA - (FREUD)
Nas férias de verão do ano de 189. Fiz uma excursão ao Hohe Tauern para que por algum tempo pudesse esquecer a medicina e, mais particularmente, as neuroses. Quase havia conseguido isso quando, um belo dia, desviei-me da estrada principal para subir uma montanha que ficava um pouco afastada e que era renomada por suas vistas e sua cabana de hospedagem bemadministrada. Alcancei o cimo após uma subida estafante e, sentindo-me revigorado e descansado, sentei-me, mergulhando em profunda contemplação do encanto do panorama distante. Estava tão perdido em meus pensamentos que, a princípio, não relacionei comigo estas palavras, quando alcançaram meus ouvidos: “O senhor é médico? ” Mas a pergunta fora endereçada a mim, e pela moça de expressão meio amuada, detalvez dezoito anos de idade, que me servira a refeição e à qual a proprietária se dirigira pelo nome de “Katharina”. A julgar por seus trajes e seu porte, não podia ser uma empregada, mas era sem dúvida filha ou parenta da hospedeira. Voltando a mim, respondi: —Sim, sou médico, mas como você soube disso? —O senhor escreveu seu nome no livro de visitantes. E pensei que, se o senhor pudesse dispor dealguns momentos… A verdade, senhor, é que meus nervos estão ruins. Fui ver um médico em L— por causa deles, e ele me receitou alguma coisa, mas ainda não estou boa. Assim, lá estava eu novamente às voltas com as neuroses — pois nada mais poderia haver de errado com aquela moça de constituição forte e sólida e de aparência tristonha. Fiquei interessado ao constatar que as neuroses podiam florescerassim, a uma altitude superior a 2.000 metros; portanto, fiz-lhe outras perguntas. Relato a conversa que se seguiu entre nós tal como ficou gravada em minha memória, e não alterei o dialeto da paciente. —Bem, e de que é que você sofre? —Sinto muita falta de ar. Nem sempre. Mas às vezes ela me apanha de tal forma que acho que vou ficar sufocada. Isso não pareceu, à primeira vista, um sintoma nervoso.Mas logo me ocorreu que provavelmente era apenas uma descrição representando uma crise de angústia: ela estava destacando a falta de ar do complexo de sensações que decorrem da angústia e atribuindo uma importância indevida a esse fator isolado. —Sente-se aqui. Como são as coisas quando você fica “sem ar”? —Acontece de repente. Antes de tudo, parece que há alguma coisa pressionando meus olhos.Minha cabeça fica muito pesada, há um zumbido horrível e fico tão tonta que quase chegou a cair. Então alguma coisa me esmaga o peito a tal ponto que quase não consigo respirar. —E não nota nada na garganta? —Minha garganta fica apertada, como se eu fosse sufocar. —Acontece mais alguma coisa na cabeça? —Sim, umas marteladas, o bastante para fazê-la explodir. —E não se sente nem um pouco assustadaquando isso acontece? —Sempre acho que vou morrer. Em geral, sou corajosa e ando sozinha por toda parte, desde o porão até a montanha inteira. Mas no dia em que isso acontece não ouso ir a parte alguma; fico o tempo todo achando que há alguém atrás de mim que vai me agarrar de repente. Portanto, era de fato uma crise de angústia, e introduzida pelos sinais de uma “aura” histérica — ou, maiscorretamente, era um ataque histérico cujo conteúdo era a angústia. Mas não seria provável que houvesse também outro conteúdo? —Quando você tem uma dessas crises, pensa em alguma coisa? E sempre a mesma coisa? Ou vê alguma coisa diante de você? —Sim. Sempre vejo um rosto medonho que me olha de uma maneira terrível, de modo que fico assustada. Talvez isso pudesse oferecer um meio rápido de chegarmos aocerne da questão. —Você reconhece o rosto? Quero dizer, é um rosto que realmente já viu alguma vez? —Não. —Sabe de onde vêm as suas crises? —Não. —Quando as teve pela primeira vez? —Há dois anos, quando ainda morava na outra montanha com minha tia. (Ela dirigia uma cabana de hospedagem e nós nos mudamos para cá há dezoito meses.) Mas elas continuam a acontecer. Deveria eu fazer uma tentativa de...
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