canabis Psiquiatria

Páginas: 39 (9591 palavras) Publicado: 3 de junho de 2015
Revista Brasileira de Psiquiatria
Print version ISSN 1516-4446
Rev. Bras. Psiquiatr. vol.32  supl.1 São Paulo May 2010
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462010000500009 
ARTIGOS ORIGINAIS
 
Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria
 
 
José Alexandre S. CrippaI,II; Antonio Waldo ZuardiI,II; Jaime E. C. HallakI,II
IDepartamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, Faculdade deMedicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil 
IIINCT Translacional em Medicina (CNPq), Ribeirão Preto, SP, Brasil
Correspondência
 
 

RESUMO
OBJETIVO: Revisar os principais avanços no potencial uso terapêutico de alguns compostos canabinoides em psiquiatria. 
MÉTODO: Foi realizada busca nos bancos de dado PubMed, SciELO e Lilacs e identificadosestudos e revisões da literatura sobre o uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria, em particular canabidiol, rimonabanto, Δ9-tetraidrocanabinol e seus análogos. 
RESULTADOS: O canabidiol demonstrou apresentar potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições. O Δ9-tetraidrocanabinol e seus análogos demonstraram efeitos ansiolíticos, nadependência de cannabis, bem como adjuvantes no tratamento de esquizofrenia, apesar de ainda carecerem de mais estudos. O rimonabanto demonstrou eficácia no tratamento de sintomas subjetivos e fisiológicos da intoxicação pela cannabis e como adjuvante no tratamento do tabagismo. Os potenciais efeitos colaterais, de induzir depressão e ansiedade limitaram o uso clínico deste antagonista CB1. 
CONCLUSÃO: Oscanabinoides têm demonstrado que podem ter amplo interesse terapêutico em psiquiatria, porém mais estudos controlados são necessários para confirmar estes achados e determinar a segurança destes compostos.
Descritores: Canabidiol; Tetraidrocanabinol; Canabinoides; Usos terapêuticos; Psiquiatria

 
 
Introdução
A planta Cannabis sativa vem sendo usada para fins medicinais há milhares de anos, pordiferentes povos e em diversas culturas1, embora hoje se conheçam também seus efeitos adversos. Há indicações do uso da planta na China antes da Era Cristã para tratamento de inúmeras condições médicas como constipação intestinal, dores, malária, expectoração, epilepsia, tuberculose, entre outras2. Do mesmo modo, sabe-se que a maconha também vem sendo usada para o alívio de sintomas psiquiátricos hámuito tempo. Na Índia, há descrições de seu uso há mais de 1000 anos antes de Cristo, como hipnótico e tranquilizante no tratamento de ansiedade, mania e histeria3. Também os assírios inalavam a cannabis para melhorar sintomas de depressão4.
Posteriormente, já no início do século XX, extratos de cannabis chegaram a ser comercializados para tratamento de transtornos mentais, principalmente comosedativos e hipnóticos (em insônia, "melancolia", mania, delirium tremens, entre outros)4. Entretanto, após a terceira década do último século, houve o declínio do uso da droga para fins médicos de modo geral e em psiquiatria, em particular1. Isto ocorreu por diversos motivos relacionados ao fato de que, na época, os princípios ativos da cannabis ainda não haviam sido isolados e os extratos variavamde potência e composição, podendo gerar efeitos inconsistentes e levar a diversos efeitos indesejáveis. Além disso, novas substâncias foram produzidas como hipnóticos e sedativos, tendo como exemplo o hidrato de cloral, barbitúricos e paraldeído5. Por fim, as restrições impostas pela posterior determinação do estado ilegal da droga limitaram ainda mais o uso da cannabis como medicamento empsiquiatria.
Entretanto, na década de 1960, as estruturas químicas dos principais componentes da cannabis foram identificadas pelo grupo do professor Raphael Mechoulam, de Israel6. O Δ9-tetraidrocanabinol (Δ9-THC) recebeu inicialmente maior atenção, por ser o componente psicotrópico da planta. Posteriormente, descobriu-se que este composto se liga no sistema nervoso central aos receptores canabinoides...
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