autismo

Páginas: 31 (7561 palavras) Publicado: 9 de setembro de 2014
Bebês com risco de autismo: o não-olhar do médico*



Mariana Rodrigues FloresI; Luciane Najar SmehaII



IPsicóloga, mestre em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e especialista em Clínica Psicanalítica (Ulbra/SM), Santa Maria/RS, mari.rflores@hotmail.com
IIPsicóloga, doutora em Psicologia (PUCRS), professora orientadora do CentroUniversitário Franciscano (Unifra), Santa Maria/RS, lucianes@unifra.br



RESUMO

Abordamos aqui a possibilidade de detecção do risco e da intervenção precoce do autismo na visão dos médicos. A análise dos resultados de uma pesquisa feita em 2009 com sete pediatras e três neuropediatras de uma cidade da região central do Rio Grande do Sul, utilizando a análise de conteúdo de Bardin (1977)relacionada à Psicanálise, aponta que os diagnósticos de autismo são feitos tardiamente. Os profissionais não estão preparados para a detecção dos sinais de risco, o que não possibilita a intervenção precoce. É necessário, portanto, trabalhar com esses profissionais para indicar-lhes os sinais de risco de autismo.

Palavras-chave: Médicos, autismo, risco, intervenção precoce.

ABSTRACT

Babies inrisk of autism: the non-looking of a doctor. In this study, it is approached the possibility of risk detection and early autism intervention by medical view. Thus, it's showed the results of a research made with seven pediatrician and three neuro-pediatricians from a central city in Rio Grande do Sul, in 2009, using the content analysis based on Bardin (1997) and related to psychoanalyses. Theresults pointed that the diagnosis of autism are made late, also the professionals involved are not able to detected the risk signs and this doesn't make early intervention possible. Therefore, it's necessary to work with these professionals to alert them about the risk signs of autism.

Keywords: Doctors, autism, risk, early intervention.





Introdução

Apresentamos aqui os resultados deuma pesquisa, feita em 2009, com pediatras e neuropediatras de uma cidade da região central do Rio Grande do Sul sobre o autismo, enfocando as possibilidades de detecção do risco e intervenção precoce. Para tanto, realizamos uma discussão com abordagem psicanalítica.

Nessa perspectiva muitos estudos vêm sendo realizados de modo a que sejam validados os indicadores clínicos para o riscopsíquico que inclui o autismo. Ademais, estes estudos apontam que, quanto mais precoce a intervenção, melhores serão os resultados obtidos. Correia (1997), em sua prática, observou que seu trabalho sofre alterações de acordo com a idade da criança - quanto mais cedo se fizer o diagnóstico, maiores as chances de uma evolução favorável. Ressaltou também que desde muito cedo algumas mães já relatam um"estranhamento" em relação ao bebê, o que possibilitaria a detecção de riscos de possíveis distúrbios psíquicos por meio de uma anamnese com os pais.

A psicanálise tem trabalhado com o risco de autismo, já que pressupõe que a criança não nasce sujeito, mas a subjetividade nela se instala pelo discurso familiar, o qual se refere ao desejo materno e à lei paterna (INFANTE, 2000).
A constituiçãopsíquica do bebê é estruturada por três tempos pulsionais: o primeiro tempo é ativo (o bebê vai em direção a um objeto externo); o segundo é reflexivo (o bebê toma seu corpo como objeto); e o terceiro, por fim, é eminentemente ativo (o bebê se faz objeto de outro). Acredita-se que, no autismo, há uma falha nesse terceiro tempo do circuito pulsional (LAZNIK, 2004).

A mãe sustenta para seu bebê olugar de Outro primordial, pois, movida pelo desejo, antecipará em seu bebê uma existência subjetiva, que ainda não se constituiu, mas que se irá instalar justamente por esta suposição materna.
A mãe desenhará, com pequenos e imperceptíveis reconhecimentos recíprocos, o mapa libidinal de seu bebê por meio de seu olhar, seu gesto e sua voz. O bebê responde aos investimentos da mãe, seja na busca...
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